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Tudo que tenho em casa é uma vasilha de azeite
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Publicado em: 14/1/2006
Por: Enoque Rodrigues Nogueira
Assembléia de Deus na Penha - Rio de Janeiro RJ
pr.enoque@gmail.com
 


Muitas vezes vemos crentes em conflitos espirituais por tentarem fazer comparação entre si e co-irmãos. Não podemos dimensionar ou classificar vitórias por nenhum método ou fórmula conhecida. As nossas bênçãos recebidas de Deus têm valor próprio e somente o contemplado pode fazer a sua avaliação. No livro dos reis de Israel encontramos uma história muito bonita de uma viúva que foi abençoada. Ela não ganhou nenhum carro do ano nem uma grande soma de dinheiro, mas o suficiente para suprir as suas necessidades emergentes, o azeite. O episódio apresenta mais um milagre envolvendo o ministério de Eliseu e ao meditar nas entrelinhas, pude tirar algumas lições para a minha vida das quais gostaria de partilhar com o leitor.

1.    A esposa de um dos irmãos profetas suplicou a Eliseu: «Meu marido, seu servo, morreu. E você sabe que seu servo temia a Javé. Mas um homem, a quem devíamos, veio para levar meus dois filhos como escravos».

2.    Eliseu perguntou: «Que posso fazer por você? Diga-me o que você tem em casa». A mulher respondeu: «Tudo o que tenho em casa é uma vasilha de azeite».

3.    Então Eliseu ordenou: «Vá e tome emprestado dos vizinhos uma grande quantidade de vasilhas.

4.    Depois entre em casa, feche a porta com seus filhos dentro, e encha todas as vasilhas com azeite. Conforme você as for enchendo, vá colocando à parte».

5.    A mulher foi e se fechou em casa com os filhos. Estes iam levando as vasilhas e a mulher ia derramando o azeite dentro.

6.    Quando as vasilhas ficaram cheias, ela pediu ao filho: «Traga mais uma». E ele respondeu: «Acabou». Então o azeite parou de correr.

7.    A mulher foi contar isso ao homem de Deus, e ele disse: «Agora vá, venda o azeite, pague a dívida e use o que sobrar para viver com seus filhos». 2 Rs 4.1-7.


1 - A esposa de um dos irmãos profetas suplicou a Eliseu: «Meu marido, seu servo, morreu. E você sabe que seu servo temia a Javé. Mas um homem, a quem devíamos, veio para levar meus dois filhos como escravos”.

A mulher de um servo de Deus ficou viúva e herdou as dívidas do marido. Ao ver o profeta Eliseu salientando que aquele era fiel ao SENHOR e mesmo assim os credores cobravam pelo passivo o trabalho escravo de seus filhos. A Bíblia diz que “o SENHOR guarda os estrangeiros; ampara o órfão e a viúva, mas transtorna o caminho dos ímpios” (Sl 146.9) e esta promessa não foi iniciada por ocasião da composição deste salmo. “Porque o SENHOR é bom, e eterna, a sua misericórdia; e a sua verdade estende-se de geração a geração” (Sl 100.5). Também nos afira as Escrituras que Deus cuida da descendência dos justos “Fui moço e agora sou velho; mas nunca vi desamparado o justo, nem a sua descendência a mendigar o pão” Sl 37.25).

2 - Eliseu perguntou: «Que posso fazer por você? Diga-me o que você tem em casa». A mulher respondeu: «Tudo o que tenho em casa é uma vasilha de azeite».

A pergunta de Eliseu lembra o episódio narrado em Atos dos Apóstolos quando Pedro pergunta ao coxo que pedia esmola: “ Olha para nós (...) Não tenho prata nem ouro, mas o que tenho, isso te dou: Em nome de Jesus Cristo, o Nazareno, levanta-te e anda” At 3.4-6.

Eliseu não possuía bens ou recursos materiais para pagar as contas da viúva, mas servia ao dono do ouro e da prata “Minha é a prata, e meu é o ouro, disse o SENHOR dos Exércitos” Ag 2.8. Inspirado por Deus o profeta fez a célebre pergunta querendo saber o que ela tinha em casa. A viúva respondeu: “só tenho um restinho de azeite”. Não representava quase nada face às necessidades e a pressão do credor, mas por outro lado era um ponto de partida para um milagre.

Às vezes nos deparamos em situações sementes onde o nosso Gol 94 represente o mesmo que uma Ferrari; a nosso barraco é igual a uma cobertura em São Conrado; sim, tudo é nada sem uma intervenção de Deus em nosso favor; nessa hora respondemos da mesma forma que a viúva: não temos nada, só um pouquinho de azeite; que para Deus, é o tudo que precisamos para Ele operar em nosso favor.
O azeite que havia na casa da viúva era precioso, mas não em quantidade suficiente para pagar todas as dívidas. Era um composto de cinco ingredientes: 5 quilos de mirra virgem (goma que transparece pelos golpes feito na árvore), 2 quilos e meio de cinamomo aromático (Árvore ornamental de flores pequenas e aromáticas), 2 quilos e meio de cana aromática (Vinha de um país longínquo, Jr 6.20), 5 quilos de cássia (pequena planta de cheiro mais penetrante e menos agradável do que o cinamono; comercializada em Tiro, Ez 27.19) e 9 litros de azeite de oliva. Embora valioso em sua essência, a quantidade não era suficiente para pagar as dívidas. Um milagre teria que acontecer.

3 - Então Eliseu ordenou: «Vá e tome emprestado dos vizinhos uma grande quantidade de vasilhas!
A situação da viúva já desconfortável pelo opróbrio sofrido ganha mais um agente de humilhação: pedir emprestado. Este é o drama vivido por todos os que caem em dívidas. Os vasos eram feitos de barro e exigiam uma série de cuidados para não se quebrarem. A mulher endividada tinha que manusear com todo o cuidado os receptáculos, afinal ela ainda não sabia do que estava por acontecer, apenas confiou na operação de Deus através do profeta. A outra questão bastante interessante é que a ordem era pegar “de todos os vizinhos” e “não poucos”. Se a viúva fosse uma mulher mal relacionada não poderia atender ao mandado de Eliseu. Diz um ditado que diz: “vale mais um amigo do que dinheiro no bolso”.

4,5 - Depois entre em casa, feche a porta com seus filhos dentro, e encha todas as vasilhas com azeite. Conforme você as for enchendo, vá colocando à parte». A mulher foi e se fechou em casa com os filhos. Estes iam levando as vasilhas e a mulher ia derramando o azeite dentro.

A ordem se trancar em casa com os filhos tem alguma aplicações. Jesus nos ensina a orar também de portas fechadas “Mas tu, quando orares, entra no teu aposento e, fechando a tua porta, ora a teu Pai, que vê o que está oculto; e teu Pai, que vê o que está oculto, te recompensará” (Mt 6.6). Nesta condição aparece a idéia de comunhão entre Deus e a Sua criatura. O salmista diz “O segredo do SENHOR é para os que o temem; e ele lhes fará saber o seu concerto” (Sl 25.14). A cena de uma mulher enchendo vasos e um vaso fluindo azeite como numa fonte de água viva poderia gerar uma série de conflitos entre a vizinhança; alguns poderiam conjeturar que fosse bruxaria, outros cochichando entre si sobre a possibilidade de ser um mero truque, outros gritando por querer também o produto por haver emprestado os vasos.

Deus muitas vezes faz milagres na nossa vida de tal forma que não podemos nem contar para os nossos amigos, sob pena de sermos zombados. Não importa a forma que venha a provisão, o importante é a sua chegada. Depois ouvimos dos nossos incrédulos amigos a tradicional pergunta: Como pode? Eu não sei, mas com certeza, Deus soube como fazer e Ele pode tudo o que quiser. “E disse Deus a Moisés: EU SOU O QUE SOU” Ex 3.14a.

6 - Quando as vasilhas ficaram cheias, ela pediu ao filho: «Traga mais uma». E ele respondeu: «Acabou». Então o azeite parou de correr.

Este fato não tem qualquer apoio científico e não precisa, o importante é que um milagre aconteceu. Enquanto havia um vaso vazio o azeite flui e encheu a todos eles.

Em nossa caminhada muitas vezes nos deparamos em situação grande desconforto. É a necessidade de um milagre (a multiplicação do azeite) e a nossa fé (la quantidade de vasos). Sabemos que Deus é dono de tudo. Tem poder para fazer todas as coisas e quer, como um pai, nos dar bens “Se, vós, pois, sendo maus, sabeis dar boas {ou boas dádivas} coisas aos vossos filhos, quanto mais vosso Pai, que está nos céus, dará bens aos que lhe pedirem?” Mt 7.11, mas existe uma linha muito tênue entre a fé e a realidade. Precisamos rever os nossos conceitos de fé e aprimorarmos a nossa visão espiritual. Isto não pode ser adquirido lendo jornais, revistas, livros, por melhores que sejam; não construímos o nosso edifício da fé com bases em teorias humanas, nem com pilares da filosofia nem as vigas da experiência dos homens e muito menos com as matérias oferecidos por esta sociedade cada vez mais materialista. Só conseguiremos alcançar a fé que faz encher os vasos de azeite lendo na Bíblia sagrada os feitos do SENHOR PROVERÁ. A fé não se compra, adquire-se. “De sorte que a fé é pelo ouvir, e o ouvir pela palavra de Deus” (Rm 10.17).

7 - A mulher foi contar isso ao homem de Deus, e ele disse: «Agora vá, venda o azeite, pague a dívida e use o que sobrar para viver com seus filhos».

Se Deus quisesse tratar o caso exclusivamente no cerne da questão sem se preocupar com as conseqüências e efeitos colaterais, poderia ter usado a Eliseu de outras formas. Um modo radical seria matar o credor, neste caso, passando a dor para a família dele. A mais clássica seria a chuva de ouro ou prata, neste caso contradizendo a lei da equidade. Tocar no coração do credor para perdoar as dívidas, abrindo uma longa luta entre todos os devedores e credores tementes a Deus. Fazer a vizinhança se solidarizar oferecendo alguma coisa para pudesse ajudar. Outras formas de operação poderiam ser usadas, mas o Todo-Poderoso preferiu a melhor, onde pudesse oferecer várias lições de vida e ética. A família pode sair do opróbrio em que viviam; uma porta de emprego foi-lhe aberta; os recursos apareceram, pela ação direta de Deus, do ministério do profeta Eliseu, ação da boa vizinhança, obediência e a abertura do mercado de trabalho.

Em um texto tão pequeno podemos ver a grandiosidade de Deus e o valor do ministério profético na vida do servo de Deus. Eliseu tinha uma vida de teoria e prática, ele não só sabia que Deus era (é e será, Hb 13.8) O SENHOR PROVERÁ, ele exteriorizava a sua fé através dos serviços prestados aos crentes necessitados.

Pelo menos dez lições importantes para a minha vida puderam extrair da história da viúva.

1 – O Todo-Poderoso É O QUE É;

2 – Como “Eu Sou o Que Sou” Deus escolhe um plano, não se submetendo a nenhuma lógica;

3 – Deus pode usar do recurso existente, por menor que seja e em qualquer circunstância;

4 – Para Deus operar um milagre a “nossa” quantidade não faz nenhuma diferença;

5 – Só Deus tem poder para multiplicar alguma coisa sem adição de material;

6 – O milagre aconteceu dentro das condições da família, de acordo com a quantidade de receptáculos que tinha para receber o produto do milagre;

7 – O produto que Deus ofereceu foi de boa qualidade e dentro dos padrões de consumo;

8 – Deus pode operar em qualquer tipo de adversidade;

9 – Para que aconteça um milagre, a fé e a obediência são imprescindíveis;

10 – Deus quando opera tudo à volta se transforma, não soluciona o problema como dá paz segurança prazer movimento e normalidade à vida.

Amados, o nosso Deus é o mesmo que salvaguardou Noé em uma geração pecaminosa; o que livrou Moisés da morte; que abriu o mar Vermelho e reteve as águas do rio Jordão; que deu vitória a Seu povo diante de todos os inimigos; que fez do fraco (Davi) um vencedor; que usou a Eliseu para transformar a situação da viúva totalmente arrasada, sem haveres, dinheiro, marido e bens, e ainda endividada e com riscos de perder os seus filhos.

Aquela viúva talvez não tivesse oportunidade de conhecer as maravilhas que Deus fez e as Suas obras em favor do Seu povo, mas cria que o Homem de Deus era um instrumento do Altíssimo; nós temos acesso ao maravilhoso compêndio destas obras através da Santa e Inspirada Bíblia Sagrada. Somos bem aventurados por acreditarmos que víssemos. Jesus não elogiou a Tomé, antes valorizou a fé dos que morreram e dos que viriam nascer e neste grupo, estamos incluídos “Disse-lhe Jesus: Porque me viste, Tomé creste; bem-aventurados os que não viram e creram!” (Jo 20.29). Para sermos alcançados pelo milagre precisamos obedecer ao que estabelece as Escrituras e termos fé, esta se consegue também através da Palavra de Deus. “A fé é pelo ouvir, e o ouvir pela palavra de Deus” (Rm 10.17).

Talvez não venhamos todos receber de Deus aquela Pajero ou uma casa na praia do mar do Norte em Rio das Ostras, mas Deus quer nos dar os meios para que possamos vencer as nossas guerras.

Eu dependo da Graça de Deus.

Bibliografia
ANDRADE, Claudionor Corrêa de. Dicionário teológico. Rio de Janeiro: CPAD, 1996;
BÍBLIA EM CD-ROM. Editora Vozes. Petrópolis, 1996;
BÍBLIA ON LINE. Sociedade Bíblica Brasileira, 1997;
BÍBLIA SAGRADA. Edição Pastoral. Paulus. São Paulo. 1991.
DICIONÁRIO AURÉLIO DA LINGUA PORTUGUESA. Nova Fronteira.
DICIONÁRIO BÍBLICO UNIVERSAL. Buckland. Editora Vida. 1987;
BÍBLIA SAGRADA : Edição Pastoral. Paulus : São Paulo, 1990.

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