Online: 570
 
 
Bibliologia – Conhecendo a Palavra da Verdade - Parte - II
( 7407 visitas )

Publicado em: 25/3/2007
Por: Saulo Davidson
Assembléia de Deus - Ananindeua-PA
saulodavidson@hotmail.com
 

O Cânon da Bíblia

“Cânon” ou “Escrituras Canônicas” é a coleção completa dos livros divinamente inspirados, constituindo a Bíblia.

Cânon é a palavra grega Kanon, que por sua vez, se origina do hebraico Kaneh, que significa literalmente vara reta de medir, assim como uma régua de carpinteiro. No antigo Testamento o termo aparece no original em passagens como Ezequiel 40.5.

No sentido religioso, Cânon não significa aquilo que mede, mas aquilo que serve de norma, regra. Com este sentido a palavra Cânon aparece no original em vários lugares do Novo Testamento (Gl 6.16; 2Co 10.13, 15; Fp 3.16).

A Bíblia como Cânon Sagrado é a nossa norma ou regra de fé e prática. Diz-se dos livros da Bíblia que são canônicos para diferenciá-los dos apócrifos. O emprego do termo cânon foi primeiramente aplicado aos livros da Bíblia por Orígenes (185-254 d.C). A canonização é o processo pelo qual a Bíblia recebeu sua aceitação definitiva.

Canonicidade é o estudo que trata do reconhecimento e da copilação dos textos Sagrados que nos foram dados por Deus.

Os livros da Bíblia são considerados valiosos porque provieram de Deus – fonte de todo bem. O processo mediante o qual Deus nos concede sua revelação chama-se inspiração. É a inspiração de Deus num livro que determina sua canonicidade.

O Cânon do Antigo Testamento

O Cânon do Antigo Testamento como temos atualmente, ficou completo desde o tempo de Esdras, após 445 a.C. Entre os judeus, ele tem três divisões, as quais Jesus citou em Lucas 24.44: Lei, Profetas e Escritos (Salmos).

A divisão dos livros no cânon hebraico é diferente da nossa. Dá 24 livros em vez dos nossos 39, isto porque são considerados um só livro, cada grupo dos seguintes:

Os dois de Samuel    1
Os dois de Reis    1
Os dois de Crônicas    1
Os dois de Esdras e Neemias    1
Os doze Profetas Menores    1
Os demais livros do Antigo Testamento    19
Total    24

A disposição ou ordem dos livros no cânon hebraico é também diferente da nossa. Daremos a seguir essa disposição dentro da tríplice divisão do cânon já mencionada (Lei, Profetas e Escritos).

Lei    5
livros    Gênesis, Êxodo, Levítico, Números, Deuteronômio.

Profetas    8
livros    Primeiros Profetas: Josué, Juízes, Samuel, e Reis.
Últimos Profetas: Isaías, Jeremias, Ezequiel, e os doze Profetas menores.

Escritos    11
livros    Livros poéticos: Salmos, Provérbios e Jó.
Os Cinco Rolos: Cantares, Rute, Lamentações, Eclesiastes, Ester.
Livros Históricos: Daniel, Esdras, Neemias e Crônicas.






Os Cinco Rolos eram assim chamados por serem separados, lidos anualmente em festas distintas:
•    Cantares: na Páscoa, em alusão ao êxodo.
•    Rute: no Pentecostes, na Celebração da Colheita em seu início.
•    Ester: na Festa do Purim, comemorando o Livramento de Israel da mão do mau Hamã.
•    Eclesiastes: na Festa dos Tabernáculos – Festa de gratidão pela colheita.
•    Lamentações: no mês de abibe, relembrando a destruição de Jerusalém pelos babilônicos.

No cânon hebraico os livros não estão em ordem cronológica. Os judeus não se preocupavam com um sistema cronológico. Também pode haver nisto um plano divino.

A nossa divisão tem 39 livros vem da Septuaginta, através da Vulgata Latina. A Septuaginta foi a primeira tradução das Escrituras, feita do hebraico para o grego cerca de 285 a.C. Também a ordem dos livros por assuntos, do formato da Bíblia atual, vem da famosa tradução.

A Formação do Cânon do Antigo Testamento

O cânon do Antigo Testamento foi formado num período aproximado de 1046 anos – de Moisés a Esdras. Moisés escreveu as primeiras palavras do Pentateuco por volta de 1491 a.C. Esdras entrou em cena 445 a.C. Esdras não foi o último escritor na formação canônica do Antigo Testamento; os últimos foram Neemias e Malaquias, porém, de acordo com os escritos históricos, ele como escriba e sacerdote reuniu os rolos canônicos, ficando o cânon encerrado em seu tempo.

A chamada Alta Crítica tem feito uma devastação com seu modernismo e suas contradições no que concerne à formação, fontes de autenticidade do cânon, especialmente do Antigo Testamento, mutilando quase todos os seus livros. Alta Crítica é a discussão das datas e da autoria dos livros. Ela estuda a Bíblia do lado de fora, externamente, baseada apenas em fontes do conhecimento humano. Por outro ângulo, a Crítica textual, também conhecida por Baixa Crítica, estuda somente o texto bíblico,e, ao lado da arqueologia, vem alcançando um progresso valioso, posto à disposição do estudante das Escrituras.

A formação gradual do Cânon

Houve, originalmente, a transmissão oral, como se vê em Jó 15.18. O livro de Jó é tido mais antigo da Bíblia. Observe a seqüência da formação gradual do cânon do Antigo Testamento.

Moisés    Começou a escrever o Pentateuco por volta de 1491 a.C, concluindo-o em 1451 (Nm 33.2).

Josué    (1443 a.C) Sucessor de Moisés, escreveu uma obra que colocou perante o Senhor (Js 24.26).

Samuel    (1095 a.C) o último juiz e também profeta do Senhor (1Sm 10.25).

Isaías    (770 a.C) fala do “Livro do Senhor” (Is 34.16), e “Palavras do Livro” (Is 29.18).

Salmos    Em 726 a.C. os Salmos já eram cantados (2Cr 29.30).

Jeremias    Cuja chamada deu-se em 626 a.C., registrou a revelação divina. (Jr 30.1,2).

Rei Josias    No tempo do rei Josias 621 a.C, Hilquias achou o Livro da Lei (2Rs 22.8-10).

Daniel    (553 a.C) redere-se aos livros. Eram os rolos sagrados das Escrituras de então (Dn 9.2).

Zacarias    (520 a.C) declara que os profetas que o precederam falaram da parte do Espírito Santo (Zc 7.12)

Ester    Nos dias de Ester o Livro Sagrado estava sendo escrito (Et 9.32)

Esdras    Contemporâneo de Neemias e foi hábil escriba da Lei de Moisés (Ne 8.1-5).
Miquéias e
Isaías    Encontramos profeta citando outro profeta, do que se infere haver mensagem escrita.

(Mq 4.1-3 e Is 2.2-4)
Filo     Escritor de Alexandria (30 a.C. – 50 d.C.) possuía todo o cânon do Antigo Testamento.

Josefo    Historiador judeu (37-100 d.C.) contemporâneo de Paulo.

Antigo Testamento    Nos dias do Senhor, esse livro chamava-se Escrituras, com as suas três conhecidas divisões: Lei, Profetas e Salmos. (Mt 26.54; Lc 24.27,45; Jo 5.39).

Reconhecimento    Os escritores do Novo Testamento reconhecem como canônicos os Livros do Antigo Testamento, há cerca de 300 referências diretas e indiretas.

Data do reconhecimento    Em 90 d.C. em Jâmnia, perto da moderna Jope, em Israel, os rabinos, num concílio sob a presidência de Johanan Ben Zakai, reconheceram o cânon do Antigo Testamento.





A Formação do Cânon do Novo Testamento

Semelhante ao Antigo Testamento, homens inspirados por Deus escreveram aos poucos os livros que compõem o cânon do Novo Testamento. Sua formação levou apenas duas gerações: quase 100 anos. Em 100 d.C. todos os livros do Novo Testamento estavam escritos. O que demorou foi o reconhecimento canônico. Há também livros mencionados no Novo Testamento até agora desaparecidos (1Co 5.9; Cl 4.16).

A ordem dos 27 livros do Novo Testamento, como é atualmente em nossas Bíblias, vem da Vulgata, e não leva em conta a seqüência cronológica

As Epístolas de Paulo

Foram os primeiros escritos no Novo Testamento. São 13: de Romanos a Filemom. Foram escritas entre 52 e 67 d.C. Pela ordem cronológica, o primeiro livro do Novo Testamento é 1Tessalonicenses, escrito em 52 d.C., 2Timóteo foi escrita em 67 d.C pouco antes do martírio do apóstolo Paulo em Roma, esses livros foram os primeiros tidos como canônicos. Pedro chama os escritos de Paulo de “Escrituras” – título aplicado somente à palavra inspirada de Deus! (2Pe 3.15,16).

Os Atos dos Apóstolos

Escrito e 63 d.C., no fim dos dois anos da primeira prisão de Paulo em Roma (At 28.30).

Os Evangelhos

Estes, a princípio, foram propagados oralmente. Não havia perigos de enganos e esquecimento porque era o Espírito Santo quem lembrava tudo e Ele é infalível (Jo 14.26). Os Sinópticos foram escritos entre 60 a 65 d.C. Entre Lucas e João foram escritas quase todas as epístolas. Note-se que Paulo chama Mateus e Lucas de Escrituras ao citá-los em 1Tm 5.18. As Epístolas de Hebreus a Judas, foram escritas entre 68 e 90 d.C.

O Apocalipse

Foi escrito em 96 d.C., durante o governo do imperador Domiciano. Muitos livros antes de serem finalmente reconhecidos como canônicos foram duramente debatidos. Houve muita relutância quanto às epístolas de Pedro, João e Judas bem como quanto ao Apocalipse. Tudo isto tão-somente revela o cuidado da Igreja e também a responsabilidade que envolvia a canonização.

Antes do ano 400 d.C., todos os livros estavam aceitos. Em 367, Atanásio, patriarca de Alexandria, publicou uma lista dos 27 livros canônicos, os mesmos que hoje possuímos; essa lista foi aceita pelo Concílio de Hipona (África) 393.

Data do reconhecimento e fixação do cânon do Novo Testamento

Ocorreu no III Concílio de Cartago, em 397 d.C. Nessa ocasião, foi definitivamente reconhecido e fixado o cânon do Novo Testamento. Como podemos ver houve um amadurecimento de 400 anos.

Dão testemunho da existência de livros do Novo Testamento, em seu tempo, os seguintes cristãos primitivos, cujas vidas coincidiram com as dos apóstolos ou com os discípulos destes:

•    Clemente de Roma: na sua carta aos Coríntios, em 95 d.C. cita vários livros do Novo Testamento.
•    Policarpo: na sua carta aos Filipenses, cerca de 110 d.C., cita diversas epístolas de Paulo.
•    Inácio: por volta de 110 d.C., cita grande número de livros em seus escritos.
•    Justino Mártir: nascido no ano da morte de João, escrevendo em 140 d.C., cita diversos livros do Novo Testamento.
•    Irineu: (130-200 d.C.), cita a maioria dos livros do Novo Testamento, chamando-os de Escrituras.
•    Orígenes: (185-200 d.C.), homem erudito, piedoso e viajado, dedicou a sua vida ao estudo da Escrituras, em seu tempo, os 27 livros já estavam completos; ele os aceitou, embora com dúvida sobre alguns: Hebreus, Tiago, 2Pedro, 2 e 3João.





Os Livros Apócrifos

Nas Bíblias de edição católico-romana, o total de livros é 73, porque essa igreja, desde o Concílio de Trento, em 1546, inclui no cânon do Antigo Testamento 7 livros apócrifos, além de 4 acréscimos ou apêndices canônicos, acrescentando ao todo, 11 escritos apócrifos.

A palavra apócrifo significa, literalmente, escondido, oculto, isto em referencia a livros que tratava de coisas secretas, misteriosas, ocultas. No sentido religioso o termo significa não genuíno ou espúrio, desde a sua aplicação por Jerônimo.Os apócrifos foram escritos entre Malaquias e Mateus, ou seja, entre o Antigo e o Novo Testamento, numa época em que cessara por completo a revelação divina; isto basta para tirar-lhes a canonicidade.

Josefo rejeitou-os totalmente, nunca foram reconhecidos pelos judeus como parte do cânon hebraico. Jamais foram citados por Jesus nem foram reconhecidos pela Igreja Primitiva. Jerônimo, Agostinho, Atanásio, Júlio Africano e outros homens de valor para os cristãos primitivos, opuseram-se a eles na qualidade de livros inspirados.

Apareceu pela primeira vez na Septuaginta, a tradução do Antigo Testamento feita do hebraico para o grego. Quando Jerônimo traduziu a Vulgata, no início do século V (405 d.C.), incluiu os apócrifos oriundos da Septuaginta, através da antiga Versão Latina, de 170 d.C. porque isso lhe foi ordenado, mas recomendou que esses livros não poderiam servir como base doutrinária.

São 14 os escritos apócrifos: 10 livros e 4 acréscimos a livros. Antes do Concílio de Trento, a Igreja Romana aceitava todos, mas depois passou a aceitar apenas 11: 7 livros e 4 acréscimos. A igreja ortodoxa grega mantém os 14 até hoje.

Os livros apócrifos são:

1.    Tobias: (após o livro canônico de Esdras);
2.     Judite: (após o livro de Tobias);
3.    Sabedoria de Salomão: (após o livro canônico de Cantares);
4.    Eclesiástico: (após o livro de Sabedoria);
5.    Baruque: (após o livro canônico de Jeremias);
6.    1Macabeu: (após o livro canônico de Malaquias);
7.    2Macabeus: (após o livro de 1Macabeus);

Os quatro acrécimos ou apêndices são:

1.    Ester: (Et 10.4; 16.24);
2.    Cântico dos três Santos Filhos: (Dn 3.24-90);
3.    A história de Suzana: (Dn 13);
4.    Bel e o Dragão: (Dn 14).

O Cardeal Pallavacini, em sua História Eclesiástica, declara que em pleno concílio, 40 Bispos, dos 49 presentes, travaram luta corporal agarrados às barbas e batinas uns dos outros. Foi neste ambiente espiritual que os apócrifos foram aprovados.

A primeira edição da Bíblia romana com os apócrifos deu-se em 1592, com a autorização do Papa Clemente VIII. Os reformadores protestantes publicaram a Bíblia com os apócrifos colocando-se entre o Antigo e Novo Testamento; não como livros canônicos, mas bons pra leitura e de valor literários e históricos. Isto continuou até 1629. A famosa versão inglesa King James, de 1611, ainda os conservou.

Após 1629, os evangélicos os omitiram de vez nas Bíblias editadas, para evitar confusão entre o povo simples que nem sempre sabe discernir entre um livro canônico e um apócrifo. Entre os católicos corre a versão de que as Bíblias de edição protestante são falsas. Quem, contudo, comparar a Bíblia editada pelos evangélicos com a editada pelos católicos há de concordar em que as duas são iguais, exceto na linguagem e estilo, que são peculiares a cada tradução.

O estudante da Bíblia deve estar acautelado, concernente aos livros canônicos e apócrifos em geral:

•    Os 39 livros canônicos do Antigo Testamento são chamados de protacanônicos pelos católicos.
•    Os 7 livros que chamamos de apócrifos, são chamados de deuterocanônicos pelos católicos.
•    Os livros que chamamos de pseudo-epigráficos, são chamados de apócrifos pelos católicos.

A respeito dos livros apócrifos, seja qual for o valor devocional ou eclesiástico que tiverem, não são canônicos, comprova-se pelos seguintes fatores:

•    A comunidade judaica jamais os aceitou como canônicos;
•    Não foram aceitos por Jesus, nem pelos autores do Novo Testamento.
•    A maioria dos primeiros grandes pais da Igreja rejeitou sua canonicidade;
•    Nenhum concílio da Igreja os considerou canônicos senão no final do século IV;
•    Jerônimo, o grande especialista bíblico e tradutor da Vulgata, rejeitou fortemente os livros apócrifos.
•    Muitos estudiosos católicos romanos, ainda ao longo da Reforma, rejeitaram os livros apócrifos.
•    Nenhuma Igreja ortodoxa grega, anglicana ou protestante, até a presente datas, reconheceu os apócrifos como inspirados e canônicos, no sentido integral dessas palavras.

Segundo os critérios elevados de canonicidade, verificamos que aos livros apócrifos faltam os seguintes aspectos:

•    Os apócrifos não reivindicam ser proféticos;
•    Não detém a autoridade de Deus;
•    Contêm erros históricos (v. Tobias 1.3-5 e 14.11) e graves heresias teológicas, como a oração pelos mortos (2Macabeus 123.45,46;4);
•    Embora seu conteúdo tenha algum valor para a edificação nos momentos devocionais, na maior parte se trata de texto repetitivo; são textos que já se encontram nos livros canônicos;
•    Há evidente ausência de profecia, o que não ocorre nos livros canônicos;
•    Os apócrifos nada acrescentam ao nosso conhecimento das verdades messiânicas;
•    O povo de Deus, a quem os apócrifos teriam sido originariamente apresentados, recusou-os terminantemente.




Você se sentiu tocado ao ler esta mensagem ?
Então CLIQUE AQUI !

 

Comente aqui e ajude a divulgar esta mensagem para seus amigos no facebook ...

   

 

 

 

  .:: Boletins ::.
Receba boletins atualizados
do Portal Webservos:


  .:: Enquete ::.

 

•    Quem Somos    •     Fale conosco!     •

Página aberta em: 0,000 segundos

Usuários de Hoje: 23670



Melhor visualisado no Internet Explorer com resolução de 800x600

:: WebServo :: Portal Gospel de Evangelismo Virtual
Desenvolvimento e Coordenação de:
Enéas T. de Oliveira
--=(-wëbsèrvö-)=--