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Um falso amigo de paulo
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Publicado em: 18/5/2007
Por: Fernando César Timóteo Alves
Ministério Interdenominacional Recuperando Famílias para Cristo - Brasília/DF
www.fernandocesar.com
 

“Procura vir ter comigo depressa. Porque Demas me abandonou, amando o presente século (...). Alexandre, o latoeiro, causou-me muitos males (...). Ninguém me assistiu na minha primeira defesa, antes todos me desampararam (...)” (2 Timóteo 4:9,10,14 e 16).


            O apóstolo Paulo foi um dos maiores evangelistas que o mundo já conheceu. Viveu numa época dificílima, onde ser cristão significava pôr em risco a própria vida. Paulo fez extensas viagens missionárias, conheceu diversos povos e culturas, por isso, se tornou um líder destacado do seu tempo. Sua equipe missionária era uma das mais grandiosas. Eram jovens, moços, velhos, mulheres, homens, principalmente. Alguns casados, outros solteiros. Mas todos imbuídos de um só propósito: anunciar a salvação exclusivamente por meio de CRISTO, Aquele que muitos testemunharam dos Seus milagres, enquanto outros só ouviram falar. Os historiadores afirmam que o apóstolo escreveu 13 cartas, denominadas paulinas, tanto dirigidas às localidades como a líderes, além da autoria não comprovada de outros textos. Por amar a obra missionária, sofreu na própria pele inúmeras adversidades, como ele mesmo descreveu na segunda Carta aos coríntios:

“Cinco vezes recebi dos judeus uma quarentena de açoites menos um (195 chicotadas). Três vezes fui açoitado com varas, uma vez fui apedrejado, três vezes sofri naufrágio, uma noite e um dia passei no abismo; em viagens muitas vezes, em perigos de rios, em perigos de assaltantes, (...) em perigos no deserto, em perigos no mar, em perigos entre falsos irmãos; em trabalhos e fadiga, em vigílias muitas vezes, em fome e sede, em jejum muitas vezes, em frio e nudez. Além das coisas exteriores, há o que diariamente pesa sobre mim, o cuidado de todas as igrejas” (2 Coríntios 11:24-28). Também foi várias vezes preso em fortalezas e levado a julgamento.

            Os judeus eram, como lemos no texto anterior, seus inimigos declarados, embora ele próprio fosse judeu, da cidade de Tarso, na região da Cilícia. Outrora, chamado de Saulo, fora perseguidor da Igreja de DEUS e contribuiu para a morte de Estevão, mártire cristão. No caminho de Damasco, perdera a visão e fora arrebatado espiritualmente aos céus, onde teve um encontro poderoso com CRISTO. A partir dali, quando voltou a enxergar, tornou-se não só um amigo da igreja de DEUS, mas seu grande líder. O testemunho de Paulo, lido ao povo em hebraico, está publicado no capítulo 22 do livro de Atos. Vale a pena relê-lo.

            Como afirmei, Paulo tinha inimigos declarados, mas também inúmeros amigos. Alguns deles são citados no início e no fim de algumas cartas escritas pelo apóstolo, cujos nomes são desconhecidos da igreja contemporânea: Febe, servidora da igreja em Cencréia; Priscila; Áquila; Epêneto; Andrônico; Júnia; Amplíato; Urbano; Apeles; Herodião; Asíncrito; Flegonte e tantos outros infinitos nomes, que para nós são também estranhíssimos. Alguns amigos mais próximos; outros, porém, distantes. Quero aqui destacar um nome que aparece em três de suas cartas: Demas.

            Nos versículos de abertura de nosso estudo, Paulo, encarcerado, escreve ao amigo Timóteo em tom de desespero: “Procura vir ter comigo depressa. Porque Demas me abandonou, amando o presente século (...). Alexandre, o latoeiro, causou-me muitos males (...). Diferentemente de Alexandre, judeu, que sempre se posicionava contrário às atitudes de Paulo (o mesmo Alexandre é citado também em Atos 19:33 como agitador do povo), Demas é apresentado, em outras cartas, como cooperador de Paulo, ou seja, aquele que, de alguma forma, contribuía para o crescimento do Evangelho: “Saúda-vos Lucas, o médico e amado, e Demas” (Colossenses 4:14); “Saúdam-te Epafras, meu companheiro de prisão em Cristo Jesus, Marcos, Aristarco, Demas e Lucas, meus cooperadores” (Filemom 1:23-24). A grande frustração de Paulo foi ter sido abandonado, nas horas de maior tribulação, por um cooperador próximo. O que levou o “amigo” a abandoná-lo? Demas não suportara tamanhas pressões em ver muitos cristãos sendo perseguidos, presos e mortos. Ele optou por não querer carregar a cruz por amor a CRISTO, como bem nos aconselha o apóstolo Pedro:

“Amados, não estranheis a ardente prova que vem sobre nós para vos tentar, como se coisa estranha vos acontecesse. Mas alegrai-vos no fato de serdes participantes das aflições de Cristo, para que também na revelação da sua glória vos regozijeis e alegreis” (1 Pedro 4:12-14), preferindo o mundo e a aparente e falsa paz que este mundo oferece. Podemos dizer que ele foi um “amigo” que só queria estar perto do apóstolo em momentos de calmaria ou de regozijamento. Por isso, hoje, aparece na história do cristianismo ao lado de nomes que não souberam honrar o Nome de DEUS. Demas trocou seu bom lugar no reino de DEUS e na história pelo salário que é destinado aos traidores, o mesmo que recebera Judas Iscariotes.

Quando Paulo escreveu as palavras de desespero ao seu filho na Fé, Timóteo, fora preso pela segunda vez na Grécia e levado às pressas para Roma, desta feita como criminoso; ou seja, numa enorme possibilidade de ser morto. E, diferentemente da primeira prisão, não tivera tempo de levar consigo seus livros nem capa para se aquecer. Foi nessa circunstância, extremamente adversa, que fora abandonado por Demas. Paulo reforça: “Ninguém me assistiu na minha primeira defesa, antes todos me desampararam”. A postura de Demas nos mostra que um falso amigo não resiste às lutas do dia-a-dia. Ele antever situações dificílimas e desaparece de nossa companhia; deixando-nos sozinhos. Não suporta ouvir palavras diferentes àquelas que massageiam seu ego, ainda que seja para o seu benefício. Ele se faz nosso companheiro apenas quando os momentos forem propícios a seus interesses particulares. Amam aparecer à sombra do sucesso alheio. Enfim, um falso amigo não tem fé suficiente para saber que DEUS é Todo-Poderoso para livrar o homem das garras dos leões, como fizera com Daniel à época do Antigo Testamento; dessa forma, mostra-se um covarde na história, que só vive em busca de uma vida de facilidades.

            A carta de Paulo a Timóteo também nos ensina algo importantíssimo para a nossa conduta cristã: que devemos manter o testemunho firme, mesmo diante dos gigantes que se levantam contra nós e da solidão. Segurar a nossa mão na de DEUS, nos conservará seguros: “Entrega o teu caminho ao Senhor; confia nele e o mais ele fará” (Salmos 37:5).

            Paulo foi o melhor exemplo de cristão que já li em toda a minha vida. Assim, o melhor adjetivo que podemos atribuir a ele é de um velho lutador que não desiste da batalha e em nenhum momento se acovarda frente às adversidades. Antes, mantém a sua fé: “mas o Senhor me assistiu e me fortaleceu para que por mim fosse cumprida a pregação, e a ouvissem todos os gentios; e fiquei livre da boca do leão. E o Senhor me livrará de toda má obra, e me levará para o reino celestial (...)” (2 Timóteo 4:17-18). Imaginemos um velho lutador, marcado por cicatrizes, preso a algemas num recanto sombrio, erguendo os olhos até encontrar uma pequena abertura no telhado, de onde saía uma luz poderosa, e concluir como num último soluço: “Combati o bom combate, acabei a carreira, guardei a fé. Desde agora, a coroa da justiça me está guardada (...)” (2 Timóteo 4:7-8). O combate de Paulo deve ser sempre o combate de todo cristão...

Dedico este estudo a todos aqueles que decidiram me abandonar na caminhada.

FERNANDO CÉSAR – Escritor, autor dos livros “Não Mude de religião: mude de vida!”, “Pódio da Graça” e “Antes que a Luz do Sol escureça”. Também é líder do Ministério Interdenominacional Recuperando Famílias para Cristo.

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