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Jacó realmente era enganador?
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Publicado em: 21/5/2010
Por: Valdecy Martins Ferreira
Assembleia de Deus - Min. Vila Nova - Goiania - Goiás
prvaldecymartins@hotmail.com
 

Jacó Realmente foi enganador??

O nascimento de Esaú e Jacó é um evento marcado por muita polemica nos dias atuais. O primeiro tópico digno de menção na historia de Jacó é o seu nascimento gêmeo. A outra questão, a mais polemica, é a ordem dada por Deus concernente ao direito de primogenitura, que a partir daquele momento seria mudado, isto é, invertido. Como está escrito, o mais moço tomou o lugar do mais velho. Como bem disse o Senhor Deus: “aborreci Esaú e amei a Jacó”.

Conforme o costume patriarcal, o filho mais velho era o herdeiro dos privilégios paternos e da maior parte dos bens materiais. Não quero agora entrar nos detalhes no tocante a venda de sua primogenitura, pois pelo texto sabemos que a mesma não lhe pertencia de fato e de direito “...o mais velho servirá o mais moço”(Gn.25:23b). isto só vem provar o quanto Esaú foi leviano com as coisas espirituais. Entretanto, o decreto veio de cima, sendo ele apenas instrumento para legalização ou conformação do plano divino.

O comportamento dos dois irmãos foi fundamentalmente diferente. Esaú gostava do campo, da caça. Jacó amava a casa a tenda, era caseiro, de costumes e tendências mais simples. Esaú vendeu o direito da sua primogenitura a Jacó (Gn. 25:29 a 34). Assim como Isaque e Rebeca poderiam saber que o direito pertencia ao mais moço, é possível que os próprios irmãos o soubessem também, por isso surgiu o espírito de rivalidade entre eles. (Embora a Bíblia não mostra em nenhum momento Isaque e Rebeca sentando com os dois e contando que tinha um decreto divino a respeito deles). Jacó, sabendo que seu irmão não queria ceder, conforme o relato de Deus a sua mãe ficou de prontidão, esperando uma oportunidade para lançar mão da sua benção, pois a mesma já lhe pertencia. Esaú, loucamente, fez a venda em troca de um prato de guisado. Interessante foi o argumento de Esaú na hora da troca ou da “gambira” com diz o bom goiano: “eis que estou a ponto de morrer, e para que me servirá logo a primogenitura?”. Jacó cujo nome significa suplantador foi ainda mais longe e exigiu que Esaú jurasse. Pois Jacó sabia muito bem quem era seu irmão.

Não quero ser juiz de nenhum deles, mas Esaú pecou porque trocou as coisas espirituais, ou pelo menos seus direitos domésticos e mesmo divinos, por um guisado vermelho. Que como agora e daqui a pouco precisa comer novamente.

Será que Jacó tirou mesmo de forma fraudulenta a benção de Esaú??(Gn.27:1 a 29) já está provado que a mesma não lhe pertencia. Esaú era um homem que pouco se importava com os interesses religiosos ou domésticos, contanto que conseguisse aumentar seu prestigio e grandeza. Tanto Isaque quanto Rebeca se afligiram com o casamento dele com duas mulheres hetéias e viram que o filho estava inteiramente divorciado do plano divino de ser o continuador das promessas paternas.

Se outra coisa não tivesse havido, esse ato por parte de Esaú era suficiente para lhe fazer perder o direito de primogenitura. Nada há que ponha nossa vida e futuro espiritual mais em perigo do que as alianças com o mundo. Quem disse que Jacó é enganador não foi Deus. Vejamos o texto exato:”... disse Esaú: não se chama ele com razão Jacó? Visto que já duas vezes me enganou: tomou me o direito de primogenitura e agora me tirou a benção” disse ainda:”não reservas benção alguma para mim?”. Veja com ele também era mau. Esaú passa a odiar a Jacó por causa da benção de com seu pai o tinha abençoado, e disse consigo: “os dias de luto de meu pai estão próximos; então matarei a Jacó meu irmão”.

O que Esaú falou não foi inspirado por Deus, mas o registro o é. Isto se explica muito bem pelo conhecimento do estudo a hermenêutica, pois a Bíblia explica a própria Bíblia. Jacó nunca foi enganador. Quem primeiro começou com esta historia de enganador foi o seu irmão Esaú e depois nós. Quando Jacó estava indo pra Padã-Arã, deixando para traz sua família e indo para casa de seu tio Labão, que no hebraico significa Branco (Gn.24:29) – mas de brancura só tinha o nome pois sabemos que era idólatra e sem temor a Deus – Jacó estava fugindo da ira de seu irmão e também seguindo o conselho de seus pais, indo até a terra do tio para casar-se com uma de suas primas, pois tinha de ser da mesma linhagem, exercendo a obediência.

Em certo lugar, cansado da viagem, deitou-se, adormeceu e sonhou. No sonho, Deus se aproximou diretamente do seu servo. Mas como servo? Se o mesmo, pelo que todos nós entendemos era enganador, suplantador, trapaceiro...? Como Deus visita um homem desta estirpe? E pior, ainda lhe faz promessas.

Acordado do sonho, seu primeiro pensamento foi que Deus morava ali e que mui terrível era aquele lugar! Apressado, Jacó não tinha com erguer um altar. Portanto usou a pedra que lhe serviu de travesseiro – penso que nem mochila ele tinha, se não teria deitado nela e não na pedra – jogou em cima dela um pouco de azeite e chamou o lugar de “Betel”, que significa “casa de Deus”. Nessa visão Jeová repete a promessa, tantas vezes feita, de que sua linhagem seria numerosa. Jacó por sua vez, fez um voto a Deus de que lhe daria o dizimo de tudo. Após 30 anos Jacó estava ali novamente cumprindo o seu compromisso com Deus. (Gn. 35:7), inclusive dizimando coisa que um enganador dificilmente faz.

Também vemos em Gêneses 29:15-20), que Jacó fez um contrato com Labão para ganhar Raquel como sua esposa. Labão tinha gostado do trabalho sincero e honesto de Jacó, e queria-o por mais sete anos. Conhecedor de seu amor por Raquel sabia que de grado serviria outros sete anos, por isso deu a filha primogênita em casamento a Jacó. – muitos pega este episodio para dizer que Jacó estava pagando o que fez, enganou na primogenitura e foi enganado com uma primogênita. Será? O que para nós foi enganação no projeto onisciente de Deus era providencia. De onde vem Judá que seria a linhagem para vinda de Jesus? De Raquel ou de Lia? – para amenizar a decepção de Jacó, Labão, que era muito mais “Lambão” do que branco, pediu ao sobrinho que cumprisse a semana de Lia e então lhe daria Raquel, na condição de servir por mais sete anos. Catorze anos de serviço e exílio tinham se passado e Jacó deseja voltar a sua casa a sua terra.

Em Gêneses 30:25 a 43, observamos que Jacó fez um novo contrato com o sogro. Labão, alegremente aceitou o plano, talvez esperando que Jacó outra vez saísse logrado. Deus condescendeu em abençoar esse servo seu contra o hábito de trapacear de Labão, e serviu-se de expediente natural para compensar a honestidade do homem que tinha trabalhado noite e dia fielmente, apesar de saber que estava sendo explorado.

A prosperidade de Jacó incomodava os filhos de Labão, pois os mesmos estavam insatisfeitos com o progresso de Jacó, e começaram a murmurar, dizendo que ele os tinha roubado. Não é Deus que está dizendo e sim os filhos de Labão ou Lambão.

“Ha qualquer parte ou herança para nós na casa de nosso pai?”. As filhas de Labão tinham visto a injustiça com que haviam sido tratadas pelo próprio pai, que as havia vendido como escravas, se bem que as condições tinham sido diferentes. Em si mesmo, o caso implicava em catorze anos de serviços de Jacó para o pai e nada por elas. Portanto, concordaram que era tempo de partir.

Está escrito em Gêneses 31: 38 a 42 “Estes vinte anos eu estive contigo; as tuas ovelhas e as tuas cabras nunca abortaram, e não comi os carneiros do teu rebanho. (veja com ele está dizendo, e como ele cuidava com responsabilidade), ...Não te trouxe eu o despedaçado; eu o pagava;(será que nós hoje quando trabalhamos em um serviço e acontece alguma coisa nesse sentido, pagamos ao nosso patrão? Se um funcionário, ou qualquer pessoa furta algo, você, como gerente paga para empresa? Jacó pagava), ...o furtado de dia e o furtado de noite da minha mão o requerias, Estava eu assim: De dia me consumia o calor, e de noite a geada; e o meu sono fugiu dos meus olhos. Tenho estado agora vinte anos na tua casa; catorze anos te servi por tuas duas filhas, e seis anos por teu rebanho; e dez vezes mudastes o meu salário;(como seria nossa reação ou nosso comportamento numa situação como essa? Jacó tinha convicção de suas palavras) ... Se o Deus de meu pai, o Deus de Abraão e o temor de Isaque não fora comigo, por certo me despedirias agora vazio.(veja que Labão não temia ao Senhor) ... Deus atendeu à minha aflição, e ao trabalho das minhas mãos, - (veja como era trabalhador o tão falado enganador Jacó) – e repreendeu-te ontem à noite.”

Quero concluir deixando bem claro que o próprio Jacó diz que ele não é enganador. O seu nome significa enganador, mas é apenas o significado de seu nome. Deus não diz que ele é enganador. Deus mudou apenas o seu nome, não o seu caráter. Pois o mesmo estava correto com os mandamentos do Senhor seu Deus. Observe em Gêneses 27:12 “Porventura me apalpará o meu pai, e serei aos seus olhos como enganador; assim trarei eu sobre mim maldição, e não bênção.” Que homem cuidadoso...

Portanto quando alguém usa o púlpito e fala tanto de Jacó com trapaceiro, malandro, enganador... Dói-me o coração, até porque acho que o próprio Deus não colocaria o seu nome em um homem com esses predicados. “Disse mais: Eu sou o Deus de teu pai, o Deus de Abraão, o Deus de Isaque, e o Deus de Jacó (enganador?). E Moisés encobriu o seu rosto, porque temeu olhar para Deus.” Ex.3:6.
A realidade é que a Bíblia sofre mais na mão dos seus expositores do que de seus opositores.

Leia tudo isto com muito carinho e atenção conferindo todas as referencias e depois tire suas próprias conclusões. Jacó era enganador?


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