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Análise do Movimento de Batalha espritual e espíritos territorias
( 9092 visitas )

Publicado em: 23/1/2004
Por: Clériston Andrade
Programa Mensagem da Cruz - Juazeiro-Bahia
mensagemdacruz@ibest.com.br
 

O Movimento de Batalha Espiritual
e os Espíritos Territoriais

Primeiramente é necessário ressaltar o aspecto positivo do Movimento de Batalha Espiritual, pois seguindo o conselho do apóstolo Paulo de “... examinar tudo e reter o bem”, vejamos desde já o que de bom, acrescentou o movimento de Batalha Espiritual à Igreja:

Líderes eclesiásticos vivem, ainda que creiam na existência, do inimigo, totalmente desapercebidos da guerra que se trava no mundo espiritual, e, por isso, deixam de manejar as armas que Deus nos oferece. Por sua vez, os novos convertidos passam a freqüentar igrejas, possuindo a cosmovisão de achar que, depois de convertidos, está tudo bem; não são cônscios da batalha que começaram a enfrentar no âmbito espiritual.

Não concordamos com a teologia do Movimento de Batalha Espiritual como será evidenciado biblicamente neste estudo, no entanto, cremos que foi permissão de Deus para que o Seu povo tomasse consciência da luta espiritual que estamos envolvidos e seguisse o conselho do apóstolo Paulo sobre Satanás: “... pois não lhe ignoramos os ardis”.

Antes de falarmos da Batalha Espiritual propriamente dita, é necessário desfazermos a visão dualista de alguns cristãos. É a falsa concepção de que Deus e o diabo são duas forças que se opõem em pé de igualdade, com se ambos tivessem o mesmo poder.

Dentro deste princípio é o homem quem decide a batalha, daí a necessidade de se “fazer” guerra espiritual, mapeamento de cidades, etc.

Duas forças contrárias: Deus X Diabo

O termo “dualismo” é uma transliteração da palavra latina “dualis”, que quer dizer aquilo que contém dois. Esta expressão foi cunhada para transmitir a idéia do Zoroastrismo, que é a crença em um poder bom, chamado Ormazd, e um poder mal, chamado Ahriman. Neste sistema, acredita-se que existem duas forças opostas: a boa e a má. Estes poderes estão sempre em conflito entre si, podendo resultar em vitórias temporárias, de um lado ou de outro. Apesar destas vitórias, nunca nenhum dos dois deixará de existir.

Agora que sabemos o que é dualismo, vejamos algumas declarações:

“Estamos em guerra! É a guerra de todas as guerras... a grande batalha espiritual entre Deus e o diabo no campo de batalha de nossas almas, com a eternidade toda pendendo na balança”.

E também:

“Pai celestial, eu me ajoelho em adoração e louvor diante de ti. Eu me cubro com sangue do Senhor Jesus Cristo para me proteger durante este período de oração. Eu me submeto a ti completamente e sem reservas em todos os setores de minha vida. Eu tomo posição contra toda operação de Satanás que possa me impedir neste período de oração e me dirijo exclusivamente ao Deus vivo e verdadeiro, recusando-me a qualquer envolvimento com Satanás em minha oração”.

Ainda podemos citar esta:

“Quando Satanás e suas tropas interferem com a obra de Deus na terra, então você sabe que é hora de entrar em ação. A guerra espiritual está rugindo em um nível cósmico. E talvez você seja convocado para participar da mesma”.

Diante de tais citações podemos pensar que elas vem da boca de adeptos do Zoroastrismo ou de alguém que prega as idéias do Yin e Yang, do Neo-confucionismo ou do Taoísmo. No entanto, quem pensa isso está redondamente enganado, pois estas declarações vêm da boca de pregadores cristãos propagadores do Movimento de Batalha Espiritual.

Quando começamos a estudar sobre “batalha espiritual”, o ensino com que logo nos deparamos é o de que existem duas forças lutando entre si para ganhar a posse das almas dos mortais.

Embora entre os pregadores do Movimento de Batalha Espiritual se negue o dualismo, em seus ensinos podemos ver a realidade da doutrina dualista de Deus X diabo, como nestas declarações que vimos anteriormente.

No cristianismo não existe lugar para o dualismo, ou o cristão crê que Deus é soberano sobre todas as coisas - e isso inclui a natureza, o coração humano, os governos e o diabo- ou vive em angústia temendo o demônio.

A soberania de Deus é ensinada no conceito de Reino de Deus. É conceito bíblico do Reino de Deus que melhor expressa a soberania de Deus sobre o universo que formou. Tal conceito está presente em toda a Bíblia e os estudiosos renomados têm insistido que é o conceito central das Escrituras, do qual se derivam todos os demais.

Para colocá-lo de maneira simples e sucinta, significa o domínio supremo de Deus sobre suas criaturas, mesmo as que se encontram em estado de rebelião aberta contra Ele; embora na época presente Deus permita que essa rebelião permaneça, já tem determinado o dia em que será conquistada e quando então reinará tendo tudo e todos sujeitos debaixo do domínio de seu Filho, como é dito em 1 Co 15.23-28 “Cada um, porém, por sua própria ordem: Cristo, as primícias; depois, os que são de Cristo, na sua vinda. E, então, virá o fim, quando ele entregar o reino ao Deus e Pai, quando houver destruído todo principado, bem como toda potestade e poder. Porque convém que ele reine até que haja posto todos os inimigos debaixo dos pés. O último inimigo a ser destruído é a morte. Porque todas as coisas sujeitou debaixo dos pés. E, quando diz que todas as coisas lhe estão sujeitas, certamente, exclui aquele que tudo lhe subordinou. Quando, porém, todas as coisas lhe estiverem sujeitas, então, o próprio Filho também se sujeitará àquele que todas as coisas lhe sujeitou, para que Deus seja tudo em todos“.

O domínio de Deus se estende no presente sobre as ações e vidas de suas criaturas, sem que isso represente uma intrusão na liberdade delas em escolher e decidir moralmente. Ao final, porém, a vontade do Rei prevalecerá sobre todas elas, sem que nenhuma delas possa acusá-lo de determinista.

O próprio Satanás está debaixo da soberania divina. A Igreja cristã sempre entendeu que Satanás foi originalmente um dos anjos criados por Deus, talvez um querubim de grande beleza e poder, que desviou-se do seu estado original de pureza e motivado pela vaidade e pela soberba, rebelou-se contra Deus, desejando ele mesmo ocupar o lugar da divindade (Isaías 14 e Ezequiel 28). Punido por Deus com a destruição eterna, o anjo rebelde tem, entretanto, a permissão divina para agir por um tempo na humanidade, a qual, através de seu representante Adão, acabou por seguir o mesmo caminho do querubim soberbo. Pela permissão divina, Satanás e os demais anjos que aliciou dos exércitos celestiais, cumprem nesse mundo propósitos misteriosos, que pertencem a Deus apenas. Alguns deles transparecem das Escrituras, que é o de servir como teste para os filhos de Deus e agente de punição contra os homens rebeldes.

O ensino bíblico é claro. Satanás, mesmo sendo um ser moral responsável e retendo ainda poderes inerentes aos anjos, nada mais é que uma das criaturas de Deus, e, portanto, infinitamente inferior a Ele em glória, poder e domínio. Mesmo que a Bíblia fale do reino de Satanás e de seu domínio nesse mundo (Ef 6.12; Lc 4.6; Jo 14.30) e advirta aos crentes a que estejam alerta contra suas ciladas (Ef 6.11; 1 Pe 5.8; Tg 4.7), jamais lhe atribui um poder independente de Deus, ou liberdade plena para cumprir planos próprios, ou capacidade para frustrar os desígnios do Senhor.

Assim, a Bíblia nos ensina que Satanás não pode atacar os filhos de Deus sem a permissão dele. Foi somente assim que pode atacar o fiel Jó (Jó 1.6-12; 2.1-7), incitar Davi a contar o número dos israelitas (1 Cr 21.1 com 2 Sm 24.1) e peneirar Pedro e demais discípulos (Lc 22.31-32). Os crentes têm a promessa divina de que Ele só permitirá a tentação prosseguir até o limite individual de cada um (1 Co 10.13), o que só faz sentido se o Senhor tiver pleno controle sobre a atividade satânica. Os autores bíblicos não viam esse controle do Deus santo e puro sobre a atividade satânica como uma insinuação potencial de que Deus era o autor do mal ou mesmo pactuasse com ele. Num universo em estado de rebelião contra o seu santo e soberano criador, onde habitavam seres morais responsáveis, decaídos espiritual e moralmente, era perfeitamente concebível que Deus, em seu plano de redenção, interagisse com homens e anjos decaídos, usando-os conforme seu querer soberano.

Espíritos Territoriais

Uma das mais sérias deficiências do livro "A Igreja e a Batalha Espiritual", escrito por Neuza Itioka e em todo material dos adeptos dos ensinos de espíritos territoriais dizem respeito às suas fontes. É surpreendente encontrar nas notas bibliográficas fontes como "fatos constatados e verificados nas ministrações pessoais", depoimentos pessoais, e testemunhos de ex-pais de santos. É destas últimas "fontes" que Neuza Itioka tira o fundamento para grande parte do seu livro. Por exemplo, a sua convicção de que crentes verdadeiros podem ficar endemoninhados baseia-se, não em exegese das Escrituras, mas na narrativa de várias experiências que teve. Itioka freqüentemente menciona experiências pessoais para provar suas convicções. Ela afirma, com base na sua experiência de aconselhamento, que certos demônios "adquirem" o direito de se sentarem no pescoço das pessoas. Com base em testemunhos, ela afirma que as orações da Igreja diminuem o índice de criminalidade, roubo e violência, que as entidades de uma rua podem ser atadas, etc. Uma de suas crenças mais curiosas, a de que determinadas igrejas têm entidades malignas que se alimentam dos pecados não resolvidos da comunidade e seus pastores, é defendida principalmente com base em vários testemunhos. O que é ainda mais preocupante, Itioka faz várias especulações sobre os demônios que dominam o Brasil baseada na doutrina da Umbanda sobre estas entidades.

Um outro exemplo é o artigo seminal de Peter Wagner sobre "Espíritos Territoriais e Missões Mundiais" publicado em 1989. Neste artigo, Wagner admite que seu conhecimento sobre "espíritos territoriais" baseia-se principalmente na sabedoria popular sobre o assunto. Mas não pára ai. Ele tenta um cálculo do número de demônios que existem baseado nas informações de um ex-pai de santo da Nigéria, a quem Satanás teria designado autoridade sobre um determinado número de demônios, que por sua vez tinham controle sobre outro número. Wagner defende a tese de "casas mal assombradas" com base na experiência de missionários em Serra Leoa.

A maior parte do artigo é empregada por Wagner para amontoar experiências após experiências de campos missionários, que supostamente provam a existência de demônios que são autoridades locais. Observa-se que as experiências citadas por Wagner para defender a existência e atuação de "espíritos territoriais" são muito limitadas e cuidadosamente selecionadas. Por exemplo, a maioria das ilustrações que Wagner usa em seu livro Warfare Prayer são tiradas da Argentina, especialmente do ministério do evangelista argentino Carlos Annacondia, que se utiliza das táticas da "batalha espiritual". Peter Wagner, porém, não menciona os casos em que estes métodos foram empregados sem qualquer resultado, e nem os casos em que houve conversões em massa, implantação de novas igrejas, e crescimento genuíno de igrejas sem que estes métodos tivessem sido utilizados. Por deixar de mencionar que outras igrejas e missões, que não a de Annacondia, estão tendo o mesmo resultado, Wagner deixa de fornecer uma informação importante para que o leitor julgue os métodos de Annacondia dentro do contexto argentino global.

Revelações dos próprios demônios - A uma certa altura do seu artigo já mencionado, Wagner menciona seis potestades mundiais que estariam imediatamente abaixo de Satanás na hierarquia satânica, cujos nomes são Damião, Asmodeo, Menguelesh, Arios, Beelezebub, e Nosferatus. Estes demônios e seus nomes, segundo Wagner, foram descobertos por Rita Cabezas, que fez pesquisas extensas sobre a hierarquia satânica, usando métodos que Wagner prefere não citar, mas que estão relacionados com o ministério de psicologia e libertação de Cabezas, e com revelações ditas divinas que ela recebeu através de "palavras de conhecimento". Não é difícil, para quem lê as obras de Rita Cabezas, perceber qual o método que ela usa para "descobrir" os mistérios da hierarquia satânica. Em seu último livro (Desmascarado [São Paulo: Renascer, 1996]) Cabezas narra longos diálogos que teve com demônios (falando através de pessoas endemoninhadas), os quais não somente lhe revelaram seus nomes, como também lhe deram informações sobre outros demônios. Ela afirma que não é correto basear sua teologia no que demônios dizem, mas acrescenta “... tenho a impressão que aquele demônio dizia a verdade..." (p.216). Esse é apenas um exemplo.

Nos ensinos e práticas do movimento há muitas outras informações sobre os demônios adquiridas pelo mesmo método. Apesar disso, analisemos os pensamentos “doutrinários” destes autores:

De acordo com o ensino do Movimento de Batalha Espiritual, o Diabo designou um demônio, ou vários deles, para controlarem cidades, regiões e países. O objetivo destes “governantes espirituais” seria impedir a glorificação de Deus em seus respectivos territórios.

C. Peter Wagner diz em seu livro Oração de guerra:

“As estruturas sociais não são, por si mesmas, demoníacas, embora possam ser e com freqüência sejam endemoninhadas por alguma personalidade demoníaca extremamente perniciosa e dominante, às quais tenho chamado de espíritos territoriais”, e “Grande parte do antigo Testamento alicerça-se sobre a suposição que os seres espirituais sobrenaturais exercem domínio sobre esferas geopolíticas”.

Dr. Neuza Itioka em seu livro A Igreja e a Batalha espiritual, diz:

“Estes poderes (principados e potestades) exercem controle não apenas sobre vidas, mas também estruturas sociais, eclesiásticas e políticas de comarcas, cidades e regiões geográficas... Quando analisamos determinadas estruturas sociais ou econômicas, o que podemos concluir? O sistema social e econômico injusto que o Brasil vive, não estaria ligado com o principado e a potestade do escravagismo que ainda se perpetua, estendendo os seus tentáculos para aprisionar a nossa sociedade?... Atrás da incapacidade dos governantes arrumarem a casa, contornarem a economia e estabelecerem justiça o que podemos discernir? Apenas o espírito corrupto dos governantes? Apenas o espírito sem escrúpulo dos que estão sem poder? Não estariam eles ligados a algo mais?”.

Neuza Itioka também disse o seguinte em um curso sobre Batalha Espiritual:

“A nossa luta deve se dirigir mais e mais contra os grandes príncipes demoníacos das regiões, nações e cidades”.

“São eles que presidem a corrupção e fraude, por exemplo, perpetuam um estilo de vida e comportamento por trás da repartição pública, do marajá que preside a corrupção da orfandade; do aborto; perpetua a violência; a miséria; a pobreza; a sensualidade e a perversidade, que originam a morte e o suicídio”.

Ainda argumentando sobre os Espíritos Territoriais, o Movimento de Batalha Espiritual cita alguns textos bíblicos para fundamentar sua idéia. Os mais comuns são: Dn 10:13,20; Mt 4:8,9; Mc 5:10; Ef 6:12.

“Espíritos territoriais” à luz das Escrituras

Nossa preocupação é analisar o que tem sido pregado. Já que tomamos as Escrituras como única autoridade de fé e prática, queremos invocar o seu testemunho a respeito de tal ensino. Por isso analisaremos os textos bíblicos que, supostamente, falam do assunto, intencionando chegar a uma conclusão bíblica.

Os textos mais usados para defender a idéia de territorialidade de espíritos são Dn 10:13 e verso 20 que dizem: Verso 13 “Mas o príncipe do reino da Pérsia me resistiu por vinte e um dias: porém Miguel, um dos príncipes, veio para ajudar-me, e eu obtive vitória sobre os reis da Pérsia”.

Verso 20 “E ele disse: Sabes porque eu vim a ti? Eu tornarei a pelejar contra o príncipe dos persas; e, saindo eu, eis que virá o príncipe da Grécia”.

O que este texto quer dizer ao referir-se ao príncipe da Pérsia e príncipe da Grécia? Não poderíamos chegar a outra conclusão além da que estes eram espíritos angelicais que atuavam nos reinos da Pérsia e Grécia.

Halley diz em seu livro “Manual Bíblico”:

“Deus levantou o véu e mostrou a Daniel algumas realidades do mundo invisível - a prossecução de conflitos entre inteligências super-humanas, boas e más, num esforço por controlar os movimentos das nações, algumas das quais procurando proteger o povo de Deus. Miguel era o anjo guardião de Israel, vv. 13,21. Outro anjo, anônimo, falou com Daniel. A Grécia tinha seu anjo, v. 20; e igualmente a Pérsia, vv. 13, 20. Parece que Deus mostrava a Daniel alguns de Seus agentes secretos em operação para levar a efeito a volta de Israel”.

Baldiwin em seu livro “Daniel: Introdução e Comentário”, diz o seguinte: “Pensa-se aqui num representante da Pérsia nas regiões celestiais; a Grécia igualmente tem um correlativo angélico, e Miguel, um dos primeiros príncipes, pertence a Israel”.

Caio Fábio em seu livro “Batalha Espiritual”, também faz um comentário sobre este texto:

“... as manifestações espirituais se relacionavam com o mundo visível e suas expressões políticas... O princípio que fica é este. Por mais estranho que isso possa parecer... a Bíblia é clara quanto à atuação dos principados e potestades no seio da história, agindo sobre nações, de maneira tão íntima, tão intrínseca que a Bíblia os especifica, referindo-se à área de atuação deles, como o príncipe das Nações”.

Dr. Russell Shedd também tem algo a nos falar sobre isso em seu comentário na Bíblia Shedd: “O príncipe do reino da Pérsia. O poder espiritual satânico manifesto através do culto pagão dos persas.”

Portanto, cremos que este texto, realmente, fala de espíritos malignos que influenciam um sistema social.

Um outro texto que se usa para apoiar a idéia de territorialidade espiritual é Mt 4:8,9 que diz: “Levou-o ainda o diabo a um monte muito alto, mostrou-lhe todos os reinos do mundo e a glória deles e lhe disse: ”Tudo isto te darei se, prostrado, me adorares”.

Parece, aqui, que Satanás estava reclamando um domínio sobre o mundo, o qual Jesus não questionou. Neste texto, podemos ver que Satanás exerce influência sobre os reinos do mundo (planeta Terra), através da ordem má das coisas. No entanto, não encontramos explícita no texto a idéia de que cada nação tem o seu espírito maligno dominador.

Outro texto que, casualmente, podemos enxergar o pensamento de Espíritos Territoriais é Mc 5:10:

“E rogou-lhes encarecidamente que os não mandasse para fora do país”.

Observando este texto, a pergunta que nos salta à mente é: o que eles quiseram dizer com “fora do país”? A palavra no original grego é “cwraV” que significa “região”. Este problema pode ser selecionado com o texto correspondente, Lc 8:31: “Rogavam-lhe que não os mandasse sair para o abismo”.

Não se trata, aqui, de territorialismo de demônios, mas, sim, que os demônios não queriam ir para o abismo, mas ficar nesta região, ou seja, nesta esfera espiritual.

Um outro texto bem conhecido é Ef 6:12:

“Porque a nossa luta não é contra o sangue e a carne, e sim contra os principados e potestades, contra os dominadores deste mundo tenebroso, contra as forças espirituais do mal, nas regiões celestes”.

O apóstolo Paulo fala de quatro expressões que podemos estar destacando: (1) Principados e potestades- aqui inferindo a uma hierarquia espiritual ( gr.: a(rxa)j e e)zousi)as ); (2) Príncipes do mundo (gr.:kojmokra)toras). Esta expressão significa “governante mundial”; foi usada por Paulo para descrever a ação dos demônios sobre a esfera da existência humana; (3) Forças espirituais do mal (gr.: pro)j ta) pneumatika) te@j poneri)aj). Esta expressão indica uma força opositora ao bem. Uma espécie de exército do mal; (4) Regiões celestiais (gr. e)pourani)oij). Esse termo é usado por Paulo cinco vezes na carta aos Efésios. Denota a esfera espiritual em que os espíritos, maus ou bons, operam.

Analisando estes termos, podemos ver que o diabo é ordenado, possuindo hierarquia entre os seus subordinados, e atua, nas regiões espirituais, influenciando as nações. Porém, a partir deste texto, não podemos ter a crença na territorialidade dos demônios. O próprio Peter Wagner comenta sobre este texto em seu livro “Oração de Guerra”:

“Coisa alguma, neste versículo, indica que uma ou mais dessas categorias ajustam-se à descrição de espíritos territoriais”.

Analisando, sinceramente, estes textos e observando a crítica que fazem alguns autores sobre o assunto, podemos concluir que apenas o texto de Daniel 10:13,20, expressa o pensamento na existência de um espírito maligno influenciando cada nação; portanto, torna-se perigoso basearmos toda uma doutrina em apenas um texto.

No entanto, não podemos ignorar a existência do texto de Dn 10: 13,20; por isso, não rejeitamos a idéia de que cada nação pode ser influenciada por espíritos malignos. Nossa opinião pessoal é que realmente os demônios são ordenados (e todos os textos acima estudados expressão isso) a ponto de organizarem-se em distritos, influenciando a cada nação.

Entretanto, digno de nota é o fato que Miguel, que em Daniel aparece como guardião de Israel, surge em Ap 12.7‑9 como defensor da Igreja, liderando as hostes angélicas contra Satanás e seus demônios, que procuram destruir a obra de Deus, diz o texto: “Houve peleja no céu. Miguel e os seus anjos pelejaram contra o dragão. Também pelejaram o dragão e seus anjos; todavia, não prevaleceram; nem mais se achou no céu o lugar deles. E foi expulso o grande dragão, a antiga serpente, que se chama diabo e Satanás, o sedutor de todo o mundo, sim, foi atirado para a terra, e, com ele, os seus anjos”.

A área de ação não aparece mais como sendo o território de Israel, mas o mundo, onde quer que a Igreja esteja (mesmo que anjos não sejam onipresentes). A constatação deste fato deveria moderar a fascinação de muitos hoje pela idéia de espíritos territoriais, maus ou bons, que seriam supostamente responsáveis por determinadas regiões geográficas, e que se embatem em busca da supremacia sobre aqueles locais. É possível que as nações ou outras regiões tenham seus príncipes angélicos, bons ou maus, mas esta idéia não exerce qualquer função ou influência no ensino do Novo Testamento, quanto aos anjos e á sua participação na luta da igreja contra os "principados e potestades, contra os dominadores deste mundo tenebroso" (Ef 6.12). Enquanto que em Daniel os principados e as potestades aparecem relacionados com determinados territórios, no Novo Testamento eles aparecem não mais relacionados com regiões, mas com “este mundo tenebroso”. O conflito regionalizado do Antigo Testamento tomou caráter universal e cósmico com a vitória de Cristo. O diabo e seus príncipes malignos são vistos agora como influenciadores, não de determinadas regiões geográficas, mas "deste mundo tenebroso". E os anjos agora servem aos servos de Deus, em qualquer região geográfica do planeta, onde se encontrem.

Todavia, o nosso conhecimento sobre a organização distrital dos demônios pára por aqui, por que a Bíblia não nos fala mais sobre o assunto; por isso, qualquer informação a mais sobre isso seria mera especulação. E se a Bíblia não fala, não devemos recorrer a fontes como demônios, livros de umbanda, pais-de-santo, etc.

Ensinam que a Terra é de Satanás

De acordo com os ensinos do movimento de Batalha Espiritual, a administração e governo terrenos pertencem a Satanás. Isso se deveu ao pecado de Adão. Ao primeiro homem foi dada administração e governo sobre a criação; no entanto, ele, quando pecou, teria entregado a autoridade ao diabo. Decorrente disto, o diabo tem controle sobre os governos, e Deus não interfere nisso, por questões éticas e legais. Daí o ensino da legalidade e ilegalidade.

De acordo com isso, Satanás teria todo o direito legal de administrar o sistema terreno, e Deus romperia com a ética se interferisse nesse direito. Foi por isso que Jesus veio, para devolver o direito ao homem de governar. A partir de Jesus, portanto, temos a autoridade de governar sobre a criação. Para apoiar essa idéia, citam-se textos como Mt 4: 8 e 9, que diz: “Levou-o ainda o diabo a um monte muito alto, mostrou-lhe todos os reinos do mundo e a glória deles e lhe disse: Tudo isto te darei se, prostrado, me adorares” e 2 Co 4:4 “nos quais o deus deste século cegou o entendimento dos incrédulos, para que lhes não resplandeça a luz do evangelho da glória de Cristo, o qual é a imagem de Deus”.

O que a Bíblia diz sobre a terra ser de Satanás?

Quando nos voltamos para a Bíblia e nos deparamos com Deus julgando a humanidade através do dilúvio Gn 6:11-26, com textos como Sl 24:1: "Do Senhor é a terra e sua plenitude, o mundo e aqueles que nele habitam...” - Como poderíamos abraçar a idéia de que Satanás é governante da terra e concorrente em é de igualdade de Deus? Quando nos deparamos com o Sl 50:10-12, em que o Senhor diz: “... meu é todo o animal da selva e as alimárias sobre milhares de montanhas. Conheço todas as aves dos montes; e minhas são todas as feras do campo... pois meu é o mundo e a sua plenitude” e Dn 2:21: “... é Ele quem muda o tempo e as estações, remove reis e estabelece reis” - Que fazemos com estes textos? Somente nos redermos a eles e reconhecermos que Deus nunca deixou e nunca vai deixar de ser soberano sobre todas as coisas.

No Livro do profeta Isaías ficamos vislumbrados em saber que Deus usou o rei da Assíria para julgar a Israel e depois também julga à Assíria (Is 10:5-12). Em I Sm 2: 6 e 7, encontramos Ana orando da seguinte forma: “O Senhor é o que tira a vida e a dá; faz descer à sepultura e faz subir. O Senhor empobrece e enriquece; abaixa e também exalta”. O salmista, inspirado, declara no Sl 103:19: “Nos céus estabeleceu o Senhor o seu trono, e o seu reino domina sobre tudo”. (grifo meu)

Deus é soberano e governa sobre todas as coisas, inclusive sobre o diabo. Porventura diante destes textos encontramos alguma coisa que sobrou para Satanás governar? Tenho certeza que não.

No entanto o que fazer com textos bíblicos que dizem que satanás é o deus deste mundo? A fim de responder esta pergunta, precisamos nos perguntar que “mundo” que é este. Russell Shedd nos dá um esclarecimento sobre isto:

“... trata do sistema de valores alienado de Deus, que orienta o pensamento dos homens em oposição a Ele. Assim, o kosmos jaz no maligno (o diabo, 1 Jo 5:19; cf. Jo 12:31; 14:30). As trevas dominam este mundo (Jo1:5; 12:46) e o pecado macula sua existência como um todo.”

Por isso não nos estranha Jesus e Paulo atribuírem este título a Satanás. Ele é o deus de um mundo pecaminoso e que se nega a submeter ao único Deus e também reina sobre as heresias e mentiras que querem afastar o povo de Deus da Verdade.

E é exatamente disso que se refere os textos de Mt 4:8, 2 Co 4:4 e outros. No entanto, é necessário notarmos que inclusive sobre o mundo pecaminoso Deus é soberano. No sentido de delimitar a ação maligna. Vemos isso na crucificação, onde era um ato soberano de Deus para cumprir os seus propósitos, mas também um ato pecaminoso do homem incitado pelo diabo: “sendo este Jesus entregue pelo determinado desígnio e presciência de Deus, vós o matastes, crucificando-o por mãos de iníquos” (At 2:23). Erickson comenta sobre o assunto da seguinte forma: “Há várias maneiras pelas quais Deus pode relacionar-se e de fato se relaciona com o pecado: ele pode (1) preveni-lo; (2) permiti-lo; (3) dirigi-lo ou (4) limitá-lo. Note que em cada caso, Deus não é a causa do pecado humano, mas age em relação a ele”.

Medo da Retaliação (vingança do diabo)

Segundo o ensino do movimento de Batalha Espiritual, quando o crente ataca estes espíritos territoriais, invadindo sua jurisdição e tentando implantar o Reino de Deus, ele terá problemas. Estes demônios poderão infernizar a sua vida com doenças, problemas conjugais e toda sorte de males. C. Peter Wagner diz em seu livro Oração de Guerra: “Dóris e eu começamos a ir para as linhas de frente na Argentina, em 1990. Dentro de alguns meses, tivemos a pior desavença em família em quarenta anos de casados, tivemos um problema sério com um de nossos mais chegados intercessores, e Dóris ficou incapacitada por quase cinco meses por motivos de discos vertebrais deslocados, e cirurgia nas costas e em um joelho. Em nossas mentes, ou nas mentes de outras pessoas envolvidas, que oram por nós, não há o menor sinal de dúvida que essas coisas foram revides diretos da parte dos espíritos que ficaram irritados por termos invadido o seu território”.

Este pensamento é uma constante na vida dos participantes do movimento de batalha espiritual. Por isso, explicas-se a constante oração por proteção e o ato “místico” de vestir a armadura espiritual. Estas pessoas vivem em todo o tempo com medo do diabo, medo de dar “legalidades” ao inimigo, medo de tudo.

Esta preocupação mostra-se evidente nas orações. Em uma apostila sobre Batalha espiritual, a Missão Shekinah ensina seus alunos a orar da seguinte forma:

“Eu me cubro com o sangue do Senhor Jesus Cristo para me proteger durante este período de oração... eu me cinjo com a verdade, revisto-me da couraça da justiça, calço as sandálias da paz e coloco o capacete da salvação. Levanto o escudo da fé contra todos os ardentes dardos do inimigo e tomo em minha mão a espada do Espírito, que é a Palavra de Deus, e uso a Tua Palavra contra todas as forças do mal em minha vida”.

Retaliação à luz das Escrituras

Vejamos o que a Bíblia pode nos dizer sobre este assunto. Na obra missionária de Cristo, o diabo estava presente em alguns momentos da sua vida para fazer com que a sua obra fosse frustrada. Na tentação do deserto (Mt 4) – no início do ministério de Jesus -, Satanás esforçou-se para impedir à Cristo.

Quando Pedro foi usado pelo diabo (Mt 16:23), vemos Satanás tentando induzir Jesus a se acomodar. Na cruz, quando Jesus está sendo crucificado (Mt 27: 33-44), vemos o diabo usando as pessoas que passavam para fazer com que Jesus desistisse do que estava fazendo.

Durante todo o ministério de Cristo aqui na terra, vemos o diabo contra-atacando-o. Notamos isso ocorrer, também, na vida de Paulo. No ministério paulino em Tessalônica, observa-se a resistência de Satanás à obra que estava sendo feita. As pessoas estavam sendo libertas e salvas. Muitos judeus creram na Palavra e numerosos gentios deixaram a adoração a ídolos e renderam-se ao Senhor. No entanto, qual foi o resultado disso? Uma perseguição levantou-se contra Paulo e os seus companheiros instigada pelo ódio, inveja e incredulidade dos judeus. Parece, aqui, que Satanás estava usando estes sentimentos da parte dos judeus para retalhar a obra de Deus em Tessalônica. Foi tão séria a resistência de Satanás contra a obra de Paulo que, este, disse o seguinte em 1 Ts 2:18: “Por isso, quisemos ir até vós ( pelo menos eu, Paulo, não somente uma vez, mas duas); contudo, Satanás nos barrou o caminho”. Ainda a respeito disso, Ladd comenta:

“Ele é o tentador, que procura, através da aflição, desviar os crentes do Evangelho (I Ts 3:5), obstruir os servos de Deus em seus ministérios (I Ts 2:18), e que cria falsos apóstolos, para perverterem a verdade do Evangelho (II Cor 11:14), que está sempre tentando derrotar o povo de Deus (Ef 6:11,12,16), e que é até mesmo capaz de praticar seus ataques sob a forma de sofrimentos corporais, aos servos escolhidos de Deus (II Co 12:7).

De acordo com os textos mencionados acima, cremos que o diabo, realmente, pode reagir (“retaliar”, ou seja lá como quiserem denominar essa ação satânica) contra a obra missionária do povo de Deus.

Cremos que é evidente que o diabo, tentando se opor à obra de Deus, faça de tudo para que o crente não obtenha sucesso em seu trabalho missionário. Esse “fazer de tudo”, implica em semear discórdias, desavenças, contendas, enfermidades e tudo o que o diabo costuma fazer.

No entanto, esta resistência é limitada pelo próprio Deus. Satanás não é um ser autônomo que vive independentemente. Muito pelo contrário, ele é um ser limitado que age com limitações impostas pelo próprio Deus. Em Jó 1:12, vemos Deus limitando a ação satânica sobre a vida de um crente: “Disse o Senhor a Satanás: Eis que tudo quanto ele tem está em teu poder; somente contra ele não estendas a mão. E Satanás saiu da presença do Senhor”.

Também em Lc 22:31, vemos que Satanás precisou pedir permissão para atacar a Pedro: “Simão, Simão, eis que Satanás vos reclamou para vos peneirar como trigo”. Em 2 Co 12:7, vemos que o apóstolo Paulo estava acometido de um ataque satânico (o espinho na carne); porém, este ataque servia aos propósitos soberanos de Deus: “... para que não me ensoberbecesse”, disse o apóstolo.

Pensamos que Frank Peretti, o Escritor do livro “Este mundo tenebroso”, de acordo com a visão de muitos crentes, deveria passar por muitos problemas, sendo “retaliado” pelo diabo, ao escrever o seu livro, que foi um “despertar” para o mundo espiritual.

No entanto, em uma entrevista dada à revista “Vida Mix”, ele responde à pergunta: “Você enfrentou lutas espirituais ou problemas, enquanto escrevia algum livro?”, da seguinte forma:

“Não que eu saiba. Nunca tive uma experiência sobrenatural. Coisas como desânimo, depressão e dúvidas já experimentei; mas não coloco a culpa no diabo. Podem ser problemas hormonais ou coisa parecida. Todo aquele que serve ao Senhor passa por algum tipo de tribulação e os meus problemas são típicos de alguém que se dedica a Deus. Muita gente perguntou se eu fui atacado pelo diabo, enquanto escrevia os livros. Acho que não. Imagino que a maior luta foi quando fiquei saturado com o tema. Era um peso que me deixou desanimado, porque eu não sabia o que iria acontecer. Afinal, o corpo de Cristo vencerá ou não? Veja bem, acabei de assistir o programa do clube 700 na televisão e eles mencionaram o que está acontecendo em uma igreja que, no momento, experimenta um grande avivamento em Pensacola, na Flórida. Eu disse: “Glória a Deus! Até que enfim uma boa notícia“.

Podemos concluir que Satanás se opõe a obra da igreja e anela em destruí-la; no entanto, jamais o faz sem a permissão, limitação e supervisão divina. O problema é quando nos preocupamos demais no que Satanás nos “aprontará” se fizermos isso ou aquilo para o Reino de Deus e, por medo, não fazemos.

“Brechas”

Este é um outro ensino amplamente divulgado pelo movimento de batalha espiritual. De acordo com os pregadores do movimento, “brechas” são pecados que cometemos que, invariavelmente, dão toda a autoridade legal para o diabo agir contra nós.

Robson Rodovalho, em seu livro “Por trás das Bênçãos e maldições”, fala-nos sobre isso: “Quando uma pessoa pratica o pecado, ela abre brecha em sua vida. A proteção espiritual está sendo levantada, e a partir daí as maldições poderão tocá-la. Por exemplo: nós encontramos Satanás dizendo a Deus que não poderia tocar a vida de Jó, pois ele estava protegido por esta sebe... Sempre que uma pessoa peca inconscientemente ou voluntariamente, ela abre uma brecha nesta cerca. Consequentemente, os espíritos maus começam a Ter acesso à vida e ao coração dela. Os espíritos malignos entram aonde foi feita a brecha. Somente o perdão de Deus poderá repará-la”.

Ainda sobre isso Neuza Itioka comenta:

“Tanto Thomas White como Robert Linthicum confirmam através dos seus escritos que corporativos de uma comunidade cristã local podem se transformar numa abertura para a invasão de principados e potestades que, por sua vez, vão se fortalecer com os mesmos pecados, para se ter todos os direitos legais para oprimir e definhar a igreja”.

Dentro do pensamento do movimento de batalha espiritual, a freqüência de um determinado pecado na vida do crente, do incrédulo, de uma comunidade, cidade, nação, concede ao diabo legalidade para intentar contra aquele que comete o pecado.

O conceito de “brechas” nas Escrituras

“Não deis lugar ao diabo” (Ef 5:27); “Para que Satanás não alcance vantagem sobre nós, pois não lhe ignoramos os desígnios” (2 Co 2:11).

A santidade nas Escrituras é algo que é constantemente falado. A palavra “santo” e seus derivados aparecem em 464 versículos. Portanto, é mais que evidente que o crente deve buscar a santidade cada vez mais em sua vida.

No entanto, precisa-se observar a motivação pelo qual deve-se buscar a santificação. Pense qual seria a posição correta: deve-se buscar a santificação com interesse que o diabo não tenha legalidade sobre a vida ou deve-se buscar a santificação por amor e temor a Deus?

Cremos que a santificação, que é fruto do trabalhar do Espírito santo na vida do crente, tem como fim maior o agradar a Deus. Ef 1:4 diz: “assim como nos escolheu nele antes da fundação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis perante ele; e em amor”. Confira também Lv 11:44; 19:2; Hb 12:14; 1 Ts 4:7. A santidade trás os benefícios de estar em paz com Deus e consigo mesmo. Quando as Escrituras escrevem exortando-nos a buscar a santidade, ela o faz pensando no sucesso do relacionamento entre o homem e um Deus santo e, também, pensando no nosso bem estar. Quando buscamos a santidade, o fazemos porque amamos o Senhor e não para que o diabo não tenha legalidade sobre as nossas vidas. Quando nossa conduta não está de acordo com os padrões de Deus para nós, nós temos que nos ver com Deus e não com o diabo. É por isso que somos exortados a buscar o arrependimento. A motivação para não pecarmos não deve ser a do medo do diabo e sim a do amor ao Senhor.

Pensemos no pecado de Davi com Bate-Seba (2 Sm 11). Davi adulterou e cometeu homicídio. Este pecado horrendo trouxe grandes males para Davi, sua família e seu povo. A partir daí poderia se dizer que o diabo passou a ter legalidade sobre a vida de Davi? Não, pois a vida de Davi ainda pertencia a Deus e Este o tratou conforme seu pecado. Deus é o nosso Pai e nos corrige como filhos que ama.

Métodos de Guerra - Mapeamento Espiritual

Um método de guerra usado pelo Movimento de Batalha espiritual é o mapeamento espiritual. Antes de qualquer coisa, segundo os pregadores do movimento, o evangelista precisa conhecer historicamente, politicamente, socialmente e espiritualmente a região onde vai trabalhar. Mapeamento Espiritual consiste em estudar a história do lugar onde se deseja evangelizar e “discernir” a entidade espiritual que atua nesta determinada região.

Seria o estudo da história da região e das características econômicas, políticas, sociais e morais que lhe são próprias. Em seguida, faz-se uma identificação com o demônio que poderia lhe atribuir estas qualidades.

Peter Wagner diz o seguinte sobre o assunto:

“Uma área relativamente nova da pesquisa e do ministério cristãos, ligada de perto com a questão de nomear as potestades, chama-se ”mapeamento espiritual... Trata-se de uma tentativa para ver uma cidade, uma nação ou o mundo inteiro conforme realmente é, e não como parece ser”.

Neuza Itioka também fala sobre o assunto da seguinte forma:

“É importante ressaltar que a identificação dos principados e potestades de alta hierarquia espiritual, não se dá apenas pelo dom espiritual, mas, por analisar as características da cidade, conhecendo a história da sua fundação, do seu desenvolvimento”.

No esforço em amarrar, expelir e amordaçar demônios “territoriais”, os pregadores do movimento de batalha espiritual ensinam que devemos procurar saber o nome do demônio que estamos guerreando para que possamos ter mais autoridade sobre ele.

O mistério de libertação Shekinah, em seus cursos de libertação, cita uma lista de nomes de demônios:

“Principados ligados a Satanás: Brumaus, Krucitas (atrás das cruzes), Ashtoreth (governa as estrelas), Tremus (tem subordinado leviathan, governador, aprisionando sob aceano - triângulo das Bermudas), Diana (idolatria e prostituição- culto a deuses, tem subordinado 3 autoridades mundiais- Damian, Asmodeus e Belzebu), Dagon ( Sacrifício de animais e crianças), Nimrod ( guerreiro que prepara a guerra do Armagedom), Dragon Astrologia- consome a sabedoria dos homens- Anticristo), Syria ( guerreiro como o príncipe do reino da Pérsia de Daniel). Autoridades mundiais seriam: Damian, Asmodeus, Belzebu, Arios, Mengue-Lesh, Nosferasteus. Outros demônios: Amishie ( Costa Rica), Aurius (Protege e leva mensagens a Satanás, como Gabriel faz com Deus), Cumba (África), Izmaichia (Europa e meio Oeste), Krion ( América Central), Kruonos e Krutofor ( Atacam igrejas que praticam batalha espiritual), Mamom ( riqueza), Sinfiris ( sede de sangue) e Yemanjá (América do sul)”. Qual a fonte desta revelação? Com certeza não são as Escrituras.

Uma certa Magnólia de Campos Araújo disse que teve uma revelação que foi escrita por Mátiko Yamashita (Ministério Batalha Espiritual). Nesta revelação ela entrevista uma série de “principados e potestades”. Essa entrevista, segundo ela, foi dada sob juramento.
O primeiro demônio a ser entrevistado foi Lúcifer. Segundo Magnólia, ele tem a aparência de um cabrito preto, vestido de homem, luvas e sapatos, no pescoço aparecem os pêlos de cabrito. Tem chifres pequenos e bigodes, cavanhaques pequenos e finos. Este disse que são sete príncipes negros, e cada um tem nove subordinados, e cada subordinado tem 32 outros subordinados. Desses 32, 9 são ligados diretamente a ele.

Magnólia perguntou a Lúcifer qual era o príncipe do Brasil. Este lhe respondeu que atualmente está vago, pois Yemanjá foi destronada no dia 12 de outubro de 1990. Magnólia perguntou sobre os príncipes de São Paulo e Rio de Janeiro. Lúcifer respondeu-lhe que são o príncipe do inconformismo e o “língua de fogo”, respectivamente.

Um outro demônio entrevistado foi o Minotauro. Segundo as informações do próprio demônio, ele é originado da Grécia antiga. Possui corpo de homem, cabeça de touro, com chifres voltados para o centro da cabeça. Segundo ele mesmo falou, é anjo caído e gênio da destruição.

Um outro entrevistado por Magnólia foi a Yemanjá. As informações a respeito deste demônio não foram dadas por ele mesmo, mas pelo “Pomba-gira”. Yemanjá é um príncipe comandado por Diana e Dionísio. Tem a aparência de mulher, cabelos longos e usa vestido decotado, longo, azul ou branco.

Quem pensa que pára por aí, está enganado. Magnólia “identificou” uma série de outros demônios: Bonzo, Buda, Centauro, Lísipe, Gênio, Fauno Pan Sátiro, Pitonisa de Delfos, Pomba Gira, Espírito de Aborto, Espírito de Bronquites, Benzai-tem ou Benten, Exú Caveira, Xangó e Espírito de Jezabel.

Observe que as fontes para tais descobertas são entrevistas com os tais demônios e estas pessoas desenvolvem, absurdamente, doutrinas baseadas alicerçadas naquilo que ouviram do “pai da mentira”, com a Bíblia chama o diabo (Jó 8:44).

O que a Bíblia diz sobre mapeamento Espiritual?

Tento imaginar Paulo escrevendo aos crentes da igreja primitiva a fim de exortá-los a fazer um mapeamento espiritual das cidades onde moravam. Talvez, ao invés de Paulo falar sobre justificação pela fé aos Romanos, ele diria para que estes identificassem e combatessem o demônio romano. Quem sabe se Paulo não falasse sobre conduta cristã aos Coríntios, ele falasse sobre como amarrar a potestade que regia aquele lugar? Imagino Paulo incentivando aos Colossenses a mapear o seu território ao invés de alertá-los contra as influências do judaísmo e gnosticismo.

Éfeso era uma cidade profundamente religiosa. Os efésios adoravam a Diana, a deusa da fertilidade. Foi construído para ela um templo que durou trinta anos para ser concluído. No seu término, foi considerada uma das sete maravilhas do mundo antigo. A imagem de Diana ficava neste templo, era conhecida e adorada por todos cidadãos daquela cidade. De acordo com o relato bíblico (At 19: 1-20), Paulo pregou naquela cidade por três anos.

Houve tal avivamento decorrente da pregação de Paulo que enfermos traziam peças de roupas para que Paulo as tocasse a fim de que seus donos fossem curados, os praticantes de artes mágicas, arrependidos, traziam seus livros para que fossem queimados em praça pública. Em Éfeso, Paulo fundou a igreja mais forte do primeiro século. Tal foi a obra que Deus fez naquela cidade, que o culto a Diana foi perdendo o seu vigor até que em 262 d.C, seu templo foi saqueado e incendiado pelos godos, e fechado pelo édito de Teodósio que fechou todos os templos pagãos.

Qual foi a fórmula de tal sucesso evangelístico? A Bíblia não diz que Paulo antes de entrar a cidade de Éfeso ficou mapeando-a, tentando identificar o demônio que ali estava. Se isso é tão importante de se fazer, porque Lucas ao dar o relato histórico não nos dá as diretrizes? Na verdade, Lucas conta-nos o segredo do sucesso: “Durou isto por espaço de dois anos, dando ensejo a que todos os habitantes da Ásia ouvissem a Palavra do Senhor, tanto judeus como gregos” (At 19:10). A pregação da Palavra de Deus, eis o “segredo” do sucesso.

Os pregadores do ensino de mapeamento espiritual argumentam que Paulo mapeou a cidade - ainda que não conste no relato bíblico. No entanto, imagino que se este fato fosse concreto, esperávamos que Paulo não enfrentasse maiores resistências do povo daquela região, conforme ensina o movimento de batalha espiritual. Porém, de acordo com o relato bíblico (AT 19: 23-41), Paulo enfrentou muita oposição.

Jesus nos ordenou: “Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do filho, e do Espírito Santo; ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado”. (Mt29: 18,19); “Ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda criatura”. (Mc 16:15). Jesus ao enviar aos doze disse: “... à medida que seguirdes, pregai que está próximo o reino dos céus” (Mt 10:7).

Quando enviou os setenta, Jesus disse: “Curai os enfermos que nela houver e anunciai-lhes: a vós outros está próximo o reino de Deus” (Lc 10:9). Jesus, em momento algum, nos orienta a mapear regiões, descobrir nomes de demônios e amarrá-los. Se isso fosse de suma importância para o sucesso evangelístico, Jesus nos teria ordenado fazê-lo.

Paulo Romero comenta sobre isso com muita propriedade: “Ora, não se destrona principados e potestades para depois pregar a Palavra de Deus, mas primeiro se prega a Palavra, pois ela, sim, tem o poder para vencer as potestades malignas”.

Horton também comenta sobre isso da seguinte forma:

“O Mapeamento espiritual, promulgado por crescente número de missiólogos, tenta identificar ‘pontos quentes’ de atividade demoníaca com o alvo de ‘amarrar’ os opressores malignos da região. Naturalmente, soa como algo saído de um livro medieval de superstições, mas é levado muito a sério por bom número de líderes evangélicos... Naturalmente, as Escrituras não relatam nenhum exemplo de pessoas se salvando antes de ouvir a pregação da Palavra”.

Queremos concluir este assunto dizendo que não encontramos nas Sagradas Escrituras nenhum respaldo para o ensino de mapeamento espiritual.

Cabe a nós pregar o Evangelho do Cristo ressurreto a toda criatura, crendo que ele é poderoso para a salvação de todo aquele que nele crê e também para expulsar principados e potestades.

Oração de Guerra

“Oração” todo mundo sabe o que é. É o modo como o homem chega até Deus (através de Jesus, é claro), em temor, adoração, louvor, petição e comunhão. No entanto, o que seria oração de guerra?

Chegamos ao cerne da doutrina do Movimento de Batalha Espiritual. Este é o centro, a essência de toda a sua teologia. Todas as demais coisas giram em torno do seu conceito de como fazer guerra a Satanás.

De acordo com os propagadores do Movimento de Batalha Espiritual, existem três níveis de guerra espiritual: (1) O nível solo -que seria a expulsão de demônios; (2) O nível de ocultismo - que seria o confronto a atividades demoníacas expressas em seitas ocultistas; (3) O nível estratégico - que é a guerra que se faz a espíritos territoriais.

A oração de guerra é feita neste último nível, o nível estratégico. Consiste em identificar os poderes espirituais malévolos atuantes em um determinado lugar e expulsá-los. Como expulsá-los? Ensinam que ordenando que o façam, declarando, determinando, impedindo os seus atos através da palavra falada.

Neuza Itioka, em seu livro “A igreja e a Batalha Espiritual”, comenta sobre o assunto:

“Exercer autoridade sobre os demônios significa, não apenas expulsar demônios das pessoas oprimidas, mas, também, exercer autoridade sobre as forças do mal que têm domínio e controle sobre os pecados e vícios, tais como materialismo, violência, sensualidade, miséria e injustiça social bem como resistir e destronar principados e potestades que tem jurisdição sobre áreas geográficas”.

César Augusto em seu livro “Guerra Espiritual”, também fala algo semelhante:

“Quando estamos guerreando contra as forças das trevas, sejam dominadores de enfermidades, homossexualismo ou drogas, necessitamos da declaração contra esses demônios, pois através dela, podemos alcançar a vitória. Há momentos na luta espiritual, que não necessitamos mais de uma oração intercessória e sim usar a autoridade que o Senhor nos deu e declarar a vitória através do nome do Senhor. A declaração ordenativa muda situações e ambientes e nos da a vitória”.

De acordo com o ensino do movimento de batalha espiritual, a oração de guerra é a chave para o sucesso da evangelização. A evangelização só pode ocorrer se antes repreendermos, amarrarmos e expulsarmos o “homem forte” que domina no lugar onde evangelizarmos. Tal é a seriedade que este princípio é apregoado que é também chamado de “evangelismo de oração”.

Peter Wagner, comentando sobre o assunto faz uma citação de outro proeminente pregador da oração de guerra:

“Edgardo Silvoso, assevera que Annacondia e outros proeminentes evangelistas argentinos incorporam em seu trabalho evangelístico uma nova ênfase sobre a guerra espiritual - o desafio aos principados e potestades, bem como a proclamação do Evangelho ao povo, mas também aos carcereiros espirituais que conservam as pessoas cativas. A oração é a variável principal, de acordo com Silvoso. Os evangelistas começam a orar pelas cidades, antes de proclamarem o evangelho ali. E somente depois de sentirem que os poderes espirituais que dominam uma região foram amarrados, é que eles começam a pregar”.

Em seu livro “Que nenhum pereça”, Ed Silvoso, sugere uma estratégia de guerra espiritual que consiste em seis passos. No quinto passo, ele aconselha aos leitores da seguinte forma: “Dê início ao ‘assalto total’. Dê início a ‘conquista’ espiritual da cidade, confrontando, amarrando, e expelindo os poderes espirituais que governam a região.”

Neuza Itioka, em um curso sobre Batalha Espiritual também dá uma estratégia de oração de guerra:

“(1) Louvando e entronizando ao Senhor, declarando o seu senhorio; (2) confessando os pecados da cidade ou da nação; (3) Pedindo perdão por elas; (4) Identificando os demônios e os príncipes; (5) Amordaçando, amarrando, imobilizando e destronando; (6) Agradecendo a vitória do Senhor; (7) Pedindo que Jesus Cristo venha agir”.

Em uma apostila sobre libertação e cura interior, a Missão evangélica “Shekinah” nos oferece um modelo de oração de guerra: “... Satanás, eu te ordeno, em nome do Senhor Jesus Cristo, que saias da minha presença com todos os teus demônios e eu coloco o sangue do Senhor Jesus Cristo entre nós”.

Diante de tais ensinos, as seguintes perguntas nos atiçam a curiosidade: Até que ponto tudo isso é bíblico? Será mesmo que a Bíblia nos ensina a identificar demônios, nas regiões celestiais, e expulsá-los? Será que a forma de Batalha Espiritual nas Escrituras é a oração de Guerra?

“Oração” de guerra à luz das Escrituras

A fim de analisar se é bíblico o conceito de repreender potestades e principados, vejamos alguns casos, nas Escrituras, em que o ser humano foi diretamente ou indiretamente atacado por forças malignas.

Primeiro - vejamos o caso de Jó. Deus havia dado permissão a Satanás para tocar na vida de Jó: “Disse o Senhor a Satanás: Eis que tudo quanto ele tem está em teu poder; somente contra ele não estendas a mão. E Satanás saiu da presença do Senhor” (Jó 1:12). Decorrente da permissão de Deus, Satanás tirou de Jó bens, família e saúde. No entanto, em nenhum momento vemos Jó dirigindo-se a Satanás e dizendo: “Satanás, você está manietado, amarrado, amordaçado, eu te ordeno que saias da minha vida”.

Muito pelo contrário, em Jó 1: 21b, nós vemos a incrível declaração deste homem de Deus: “O Senhor o deu e o Senhor o tomou; bendito seja o nome do Senhor”. Talvez pensemos que Jó estava errado ao dizer isso, porém, no versículo seguinte, o testemunho bíblico comenta a respeito: “Em tudo isto Jó não pecou, nem atribuiu a Deus falta alguma”.

Também podemos ver o caso de Daniel. Em Dn 10, diz que Daniel estava intercedendo a Deus quando o anjo do Senhor apresentou-se a ele e, nos versículos 12 e 13, explicou o que estava acontecendo: “... Não temas, Daniel, porque, desde o primeiro dia em que aplicaste o coração a compreender e a humilhar-te perante o teu Deus, foram ouvidas as tuas palavras; e, por causa das tuas palavras, é que eu vim. Mas o príncipe do reino da Pérsia me resistiu por vinte e um dias; porém Miguel, um dos primeiro príncipes, veio para ajudar-me, e eu obtive vitória sobre os reis da Pérsia.”

Observe que revelação estupenda foi dada a Daniel - Já vimos que este texto realmente se refere a espíritos -. Estava havendo uma guerra angelical no reino espiritual. E desta batalha dependia a resposta da oração. Pensemos no que Daniel fez. Será que ele fez “oração de guerra”? Talvez ele tenha ordenado ao espírito maligno da Pérsia que soltasse o anjo. Quem sabe ele não manietou o espírito para poder fortalecer o anjo que estava em apuros? Talvez ele tenha ordenado que Miguel viesse acudir o seu amigo. Não, absolutamente, não. Daniel nem sabia o que estava acontecendo. Ele simplesmente perseverou em oração a Deus, em intercessão, em súplicas diante de Deus.

Também podemos pensar sobre a estratégia missionária de Paulo. Em sua primeira viagem missionária, Paulo viajou juntamente com Barnabé e João. Ele iria passar por cidades como Salamina, Pafos, Perge, Listra, Antioquia da Pisídia, Icônio e Derbe. Nestes lugares, eles iriam ter que enfrentar um mago, pregar para os incrédulos, passar por perseguições, curar um coxo, enfrentar uma multidão que queria sacrificar-lhes e serem apedrejados.

Diante de tantos acontecimentos que estavam por vir, nada melhor do que manietar, amarrar, destituir o diabo, segundo ensina o Movimento de Batalha Espiritual. Eles tinham - segundo o pensamento do movimento - que ter, primeiro, amarrado o principado de cada cidade a se visitar e depois disso pregar as boas novas. Com certeza, eles não teriam, se assim o fizessem, que enfrentar perseguições, e a pregação do Evangelho seria mais fácil.

No entanto não foi isso que aconteceu. O Espírito Santo separou a Barnabé e Paulo para esta viagem missionária (At 13: 2). O versículo posterior mostra o que eles fizeram antes de enviar a Barnabé e Paulo: “Então, jejuando, e orando, e impondo sobre eles as mãos, os despediram”. Aí não diz que eles fizeram “oração de guerra”. Não diz que eles primeiro amarraram os demônios das cidades que estavam por passar. Simplesmente fizeram o que se espera de todo homem e mulher de Deus: Jejuaram e oraram a Deus e receberam a bênção daqueles que os estavam enviando.

Outro caso que merece a nossa atenção é quando Paulo quis ir visitar os crentes tessalônicos. Em 1 Ts 2:18, diz: “Por isso, quisemos ir até vós (pelo menos eu, Paulo, não somente uma vez, mas duas); contudo, Satanás nos barrou o caminho”. Vejamos bem. Paulo iria à igreja para fazer a obra de Deus; no entanto Satanás lhe barrou o caminho.

Daí segue-se a pergunta: porque que Paulo - o apóstolo, o homem que revolucionou o mundo de então com o Evangelho, o homem que Deus confiou as revelações- não, simplesmente, amarrou o diabo? Seria simples, somente bastava manietar aquele principado de Tessalônica.

Tenho respeito por aqueles que pregam a idéia da “oração de guerra”. No entanto, não vemos apoio bíblico para tal prática. Muito pelo contrário. Judas, irmão de Jesus, ao escrever sua carta e repreender àqueles que estavam agindo com arrogância, disse:

“Mas quando o arcanjo Miguel, discutindo com o diabo, disputava a respeito do corpo de Moisés, não ousou pronunciar contra ele juízo de maldição, mas disse: O Senhor te repreenda” (Jd 9).

Penso que este texto clama àqueles que vivem a identificar espíritos e repreendê-los. Champlin comenta:

“Miguel deixou nas mãos de Deus o ‘repreender’ a Satanás. Somente Deus pode fazer isso. Assim os gnósticos supunham um poder tão alto que fazia o que somente Deus pode fazer”.

Sobre a oração de guerra, MacArthur comenta:

“Não podemos lutar no nível humano. Não há palavras ou técnicas carnais que possam vencer uma guerra espiritual. Devemos depender de um plano e de armas espirituais para a batalha. Nossa suficiência em Cristo inclui armas que são divinamente poderosas, as quais podem destruir as fortalezas do mundo dos espíritos e todos seus pensamentos altivos que se levantam contra o conhecimento de Deus. Quais são essas armas? Elas não são frases místicas ou chavões. Não fornecem o poder de repreender ou dar ordens aos demônios. Não há coisa alguma secreta ou misteriosa a respeito destas armas. Elas não são astuciosas ou complicadas”.

Ainda falando sobre a oração de guerra, Ricardo Gondin comenta:

“A expulsão de demônios de uma área geográfica parece muito mais uma ação que acontece através de um avivamento da igreja que avança com seu poder de influenciar e converter pessoas e sociedades, que uma ordem que se dê aos principados e potestades”.

Por fim, não acredito que expulsar espíritos territoriais através da ordenança seja uma prática eficiente, pois não é bíblica. Entre as armas do crente contra o próprio Satanás não se encontra o “ordenar”.

Aliás, depois de tanto declararem “tá amarrado demônio da corrupção”, “tá anulado espírito de miséria”, “tá paralisado espírito de violência”, por que muitos políticos continuam roubando, a fome no país ainda aflige muitas famílias e a violência aumenta a cada dia?

O MÉTODO BÍBLICO DE BATALHA ESPIRITUAL

Como se deve guerrear contra o inimigo? Quais são as armas disponíveis? As Escrituras nos dão o método de combate. Este método deve ser seguido se quisermos ter realmente vitória contra as força demoníacas. A seguir veremos as armas de ataque que estão à nossa disposição.

As armas de ataque:

A pregação do Evangelho - Eis uma arma eficaz contra o inimigo: a pregação da verdade: “Todo aquele que invocar o nome do senhor será salvo. Como, porém, invocarão aquele em quem não creram? E como crerão naquele de que nada ouviram? E como ouviram, se não há que pregue? E como pregarão se não foram enviados? Como está escrito: Quão formosos são os pés dos que anunciam coisas boas! Mas nem todos obedecem ao evangelho; pois Isaías diz: Senhor, quem acreditou na nossa pregação? E, assim, a fé vem pela pregação, e a pregação, pela palavra de Cristo”
(Rm 10:13-17).

Diante desta maravilhosa declaração do apóstolo Paulo, pode-se chegar à conclusão que a pregação do Evangelho é poderosa, por si só, para salvar o perdido. A fé vem pela pregação da Palavra de Deus e não através de “oração de guerra”.

Em Jo 8:32, está escrito: “Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará”.É a verdade de Deus, Cristo, que liberta. Não é ordenando a demônios que liberem as pessoas que nem querem um compromisso com Cristo; este poder quem tem é o Evangelho, e é exatamente por isso que devemos comunicá-lo.

Jesus não comissionou seus discípulos a “amarrar” demônios nas regiões celestiais.

Jesus comissionou-os a pregar o Evangelho: “Ide por todo o mundo e pregai o evangelho a todo a criatura” (Mc 16:15); “Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações...” (Mt 28:19).

Jesus Cristo e o apóstolo Paulo enfatizaram a pregação do evangelho como arma para converter os incrédulos. Se amarrar e destituir principados e potestades antes de anunciar a Cristo fosse tão importante, porque Jesus e Paulo não nos chamam atenção para um fator tão imprescindível?

O Evangelho de Cristo é, em si mesmo, poderoso para a salvação daqueles que crêem. É claro que se pode variar nos métodos de comunicação deste; no entanto, não se pode confiar nestes métodos para a salvação do perdido.

Intercessão

A palavra “intercessão” vem do latim “intercedere”, que significa: “ficar entre”. No caso da oração é aplicada ao ato da petição, súplica a Deus por algo ou alguém.

Paulo, em sua carta a Timóteo, reconhece o valor da súplica em parceria da pregação do evangelho para a salvação: “Antes de tudo, pois, exorto que se use a prática de súplicas, orações, intercessões, ações de graças, em favor de todos os homens, em favor dos reis e de todos os que se acham investidos de autoridade, para que vivamos vida tranqüila e mansa, com toda piedade e respeito. Isto é bom e aceitável diante de Deus, nosso Salvador, o qual deseja que todos os homens sejam salvos e cheguem ao pleno conhecimento da verdade”.

As armas de defesa

Quando o cristão vale-se das armas de ataque, bíblicas, para saquear o território do inimigo, é lógico que este irá reagir; e quando isto acontecer... O que fazer?

Ao descrever a armas espirituais do crente, Paulo, em Efésios 6:13, diz o propósito: “...para que possais resistir no dia mau.” Este vocábulo, “resistir”, é um verbo: (Gr.)”)anqisthmi”. Ele exprime a idéia de opor-se, defender-se, fazer face a, colocar-se contra, permanecer firme. A idéia que exprime este vocábulo é a de não retroceder diante dos ataques do inimigo, para não lhe conceder nenhuma vantagem ou vitória. Ele aparece, também, em passagens como Tg 4:7 e I Pe 5:9.

A pergunta é: como resistir, opor-se, fazer face ao diabo? Em Efésios 6: 14-17, Paulo passa a dizer que o crente deve resistir ao diabo revestindo-se da armadura de Deus.

A Armadura de Deus

Quando Paulo cita a armadura, ele tinha em mente o soldado romano preparado para a guerra. Ele usa esta figura para exemplificar a luta do crente e como, este, pode vencer. A metáfora denota o revestimento do Senhor Jesus que o crente deve ter. Todas as partes da armadura são pertencentes ao caráter de Cristo e são adquiridas pelo crente através do Espírito Santo.

Alguns vestem a armadura como algo místico de eficácia instantânea, ao proferir algumas orações. No entanto, não cremos que seja isso que Paulo tinha em mente. É certo que o apóstolo, quando advertia os crentes a vestirem a armadura de Deus, estava pensando no revestir-se da natureza moral de Cristo; revestir-se do próprio Cristo.

Portanto, essa é a arma que Deus nos oferece para resistir no dia mau. A seguir, veremos as armas de defesa que as Escrituras nos oferecem:

A Verdade - O cinto, ou cinturão, era posto em torno da cintura, usado com a finalidade de apertar a armadura em volta do corpo e sustentar a adaga e a espada.

Esta verdade poderia, muito bem, significar a verdade moral, o oposto da mentira - o que seria lógico, pois satanás é o pai da mentira. No entanto, é certo que o significado desta verdade, exposta por Paulo, vai muito além do significado de verdade ética. Considera-se que esta verdade é a verdade de Deus; ou seja, a verdade cristã, o conjunto das doutrinas cristãs, que é o que sustenta tudo o mais - segundo o mesmo uso que palavra denota em Ef 4: 15.

A justiça - A couraça era uma peça da armadura romana que constituía-se em duas partes: a primeira, cobria a região do tórax, e a outra parte cobria a região das costas. Esta peça tinha a finalidade de proteger as regiões vitais do corpo.

Paulo, ao usar esta peça, como metáfora, para exemplificar a justiça, tinha em mente a justificação. Em Rm 8, Paulo comenta que nada poderá condenar o crente, pois é Deus quem o justifica. Isso quer dizer que (1) não podemos confiar em nossa própria justiça, ou santidade, para vencer o inimigo, mas confiar na justiça que vem de Deus, através do sacrifício de Jesus; por isso, é que nada, nem anjos nem potestades, poderá nos separar do amor de Deus. (2) Quando somos justificados, o Espírito Santo opera em nós a obra da santificação; uma obra conjunta com o crente, no qual, este, assume, de forma gradual, o caráter de Cristo, em particular, o caráter justo, íntegro - Paulo aplica este termo, desta forma, em Ef 4:24 e 5:9.

O Evangelho da paz - A sandália romana, usada como figura pelo apóstolo Paulo, era feita de couro e possuía vários cravos, formando uma camada espessa. Esta peça tinha a finalidade de proteger os pés do soldado, onde quer que ele fosse.

Para esta peça, são usadas algumas interpretações, como a que diz que Paulo está referindo-se ao evangelismo. No entanto, é preferível a interpretação de que Paulo refere-se à paz com Deus, consigo mesmo e com o próximo, que o Evangelho proporciona. Esta paz é a tranqüilidade mental e emocional - oriunda da consciência da plena aceitação da parte de Deus - que o crente tem por onde vai, e em toda e qualquer situação.

A fé - O escudo, usado como ilustração pelo apóstolo, era grande o bastante para proteger o corpo inteiro do soldado. Ele era formado de duas partes de madeira, recobertas de lona e, depois, de couro.

Aqui, o apóstolo Paulo, refere-se a fé salvífica, de acordo com o contexto de Ef 1:15, 2:8; 3:12, que produz entrega total da alma do crente a Cristo. É a crença que Cristo, como Senhor, domina, controla e dirige todos os aspectos da vida do crente. Esta fé tem a eficácia de anular os dardos inflamados o maligno.

Salvação - O capacete, usado por Paulo para exemplificar a salvação, era formado de couro grosso ou metal. Era usado para proteger o soldado de golpes de espada, proferidos em sua cabeça.

A salvação do crente, recebida pela graça divina, mediante a fé, é o que o livra dos ataques aterradores do diabo. Ela é uma proteção divina para o guerreiro que é crente. Quando a pessoa é salva da morte e do pecado através de Cristo, ela está escondida em Cristo e o diabo não a toca.

A Palavra de Deus - Poder-se-ia pensar que a espada é uma arma de ataque, e realmente o é; no entanto, ela, também, pode ser usada como defesa, e o contexto do texto de Efésios, nos da o subsídio necessário para pensar que aqui, ela é usada para defesa.

O que Paulo queria dizer usando a espada como ilustração? Certamente ele estava falando da atuação do Espírito na vida do crente, de tal forma, que torna a Palavra de Deus uma força viva na vida diária, a torna eficaz em nós e torna vigoroso o uso que fazemos dela.

Assim como a espada é morta quando não manuseada assim é a Palavra sem o atuar do Espírito na vida de quem a lê. A Palavra de Deus respaldada pelo Espírito Santo, da vida é mais cortante do que qualquer espada de dois gumes e é apta para discernir as intenções do coração (Hb 4:12).

Alguns interpretam este texto como se dissesse para usar a declaração de versículos contra o diabo. No entanto, o diabo não corre da mera declaração de versículos, mas, sim, da eficácia que a operação das Escrituras, através do Espírito Santo, obtém na vida do crente.

Fontes: “4 Princípios Básicos da Batalha Espiritual”, Augusto Nocodemus Lopes, www.solascriptura.com.br e “Movimento de Batalha Espiritual”, Nelson Leite Galvão, www.cacp.org.br.

Pesquisa e organização:

Clériston Andrade
Juazeiro-BA

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