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PREGADORES E SEUS ERROS
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Publicado em: 22/6/2012
Por: Antonio Esteves
Assemb. de Deus - Cariacica - ES
aesteves60@gmail.com
 

 

 

Com equilibrada dosagem de humor e ironia, O pr Ciro, inteligentemente descreve um acontecimento que bem ilustra uma triste realidade que, infelizmente vem se repetindo em muitos dos nossos cultos. Pessoas despreparadas sobem ao púlpito de nossas igrejas para pregar a Bíblia e acabam dando um espetáculo circense; levando o público ao riso e a diversão dentro casa de Deus. A exceção de alguns contritos servos de Deus, ao invés de haver quebrantamento do povo sob o impacto de uma palavra ungida pelo Espírito Santo, acabam quase todos às gargalhadas com as trapalhadas do "mensageiro" da noite.


Com certeza seria hilário se não fosse trágico.
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Intitularemos o conto de: O Último "Amém".

"Era um culto de domingo, em uma grande e tradicional igreja evangélica. O templo estava lotado, e tudo transcorria normalmente, após a oração de abertura, que terminou com o primeiro "amém" da noite.


Havia muitas pessoas não crentes para ouvir a exposição da Palavra de Deus. No púlpito, os obreiros folheavam a Bíblia, esperando ter uma oportunidade para falar. E isso poderia acontecer, uma vez que o pastor pregara no domingo anterior e não costumava avisar com antecedência quem seria o pregador do próximo culto.


Após o momento de cânticos, com todos os conjuntos musicais, e a leitura da Bíblia Sagrada, o pastor anunciou:
— Vamos fazer uma oração e, em seguida, ouviremos uma saudação pelo pastor "José dos Clichês", que hoje deixou a sua congregação, e gostaríamos de ouvi-lo transmitir uma rápida palavra.


Erros que os Pregadores Devem Evitar


O dirigente do culto começou a orar, e José, assentado na galeria por ter chegado tarde à reunião, lembrou-se de uma pregação que ouvira sobre o texto de 1 Pedro 3.15, cujo tema foi: "Estai sempre preparados".


Terminada a oração com mais um "amém", José se levantou calmamente e dirigiu-se ao púlpito, sem saber o que falaria, pois, mesmo sendo um ministro, não tinha nenhuma mensagem preparada.


A fim de ganhar tempo, fez questão de cumprimentar os vinte obreiros que ali estavam, um por um. Ajustou, então, lentamente, o pedestal do microfone e começou a falar:


— Saldo os irmãos com a paz do Senhor e os amigos com uma boa noite de salvação! Amém?


Como poucos irmãos responderam, ele reclamou:


— Parece que esse "amém" foi para mim. Saldo os irmãos com a paz do Senhor! Amééém?


— Amééééééééém... — o público respondeu.


— E motivo de grande alegria estar aqui neste lugar, pois anjos, arcanjos, querubins e serafins estão aqui, nesta noite. Amém, irmãos?


Ao som de um desconfiado "amém", José continuou:


— O povo de Deus é um povo alegre! Olhe para o seu irmão e diga: "Eu profetizo unção de alegria sobre a sua vida!" Isso fez com que todos se movimentassem se cumprimentassem e conversassem em voz alta durante alguns minutos.


Depois desse momento de — digamos — "descontração", José continuou:


— Desejo, antes de proferir a poderosa e magnânima mensagem que já está em meu coração, cantar um hino para Jesus. Minha voz não está boa, mas vou cantar para Jesus!


Pedindo aos músicos uma nota, começou a cantar de forma desafinada a canção Jesus Tomou as Chaves do Diabo. Alguns irmãos sorriam, outros olhavam para o relógio e a maioria cochichava:


— Que desafinado — todos, na verdade, sabiam que ele, por não conhecer música, pedira um tom muito alto. Pior do que isso estava cantando fora do tom pedido! Mesmo assim, não se intimidou e ainda cantou o "hino" duas vezes!


Os obreiros do púlpito permaneciam de cabeça baixa, olhando para a Bíblia, enquanto o pastor da igreja—que parecia antever o que aconteceria — pronunciava em tom baixo um pejorativo "amém". Quando ele pensava que nada pior poderia acontecer...


— Irmãos — disse "O Pastor José dos Clichês" — esse hino é maravilhoso e me faz lembrar do tempo em que eu era um pecador, e a poderosa mão de Deus me alcançou... E quantas pessoas estão sofrendo, no pecado... Glória a Deus! Aleluia! Como disse o apóstolo “I “Pedro” em Hebreus: “Horrenda coisa é cair na mão do Deus vivo”“.


Não percebendo que havia aplicado o versículo de modo contraditório e citado a fonte erroneamente, ainda acrescentou:


— E essa mão vai tocá-lo nesta noite! Se você crê, levante a mão direita e comece a liberar a sua fé! Você é vencedor! Declare isso!


Apesar de gritar e pular, a ponto de suar e quase perder a voz, percebeu que não houve o "retorno" que esperava. O povo não estava tão impressionado com as suas palavras e atitudes. Assim, resolveu fazer uma oração:


— Fiquemos em pé! Vamos fazer uma oração de conquista! Vamos tomar tudo o que o Diabo nos roubou! Comece a liberar a sua fé! Determine agora a sua vitória! Exija que o Diabo deixe a sua vida!


Quando a estranha oração já durava vários minutos, e alguns irmãos já estavam sentados, ele concluiu:


— Em o nome de Jesus, eu determino que haja vitória para o seu povo e profetizo que todos recebam a bênção agoooooooooora! Diabo, eu exijo: Pegue tudo o que é seu e saia, em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém.


A essa altura, todos pensavam que ele terminaria a sua "rápida" saudação. Mas, folheando a Bíblia de um lado para o outro, prosseguiu:


— Bem, irmãos, para não ficar somente em minhas palavras, quero deixar um versículo para a meditação de todos.


Desejo ler uma passagem conhecida, pois o salmista disse que a Palavra de Deus se renova a cada manhã.


Após alguns segundos de procura, voltou-se para os obreiros do púlpito e perguntou:


— Irmãos, quero deixar para a igreja aquele versículo que diz: ""Quem não vem pelo amor, vem pela dor". Onde está mesmo? Acredito que esteja em Eclesiástico...


— Irmão José, é Eclesiastes — manifestou-se um dos obreiros, em tom baixo.


Nesse instante, enquanto alguns irmãos riam de cabeça baixa, José continuava a procurar o versículo. Ele já havia consultado a concordância resumida que havia em sua Bíblia, mas, faltavam apenas vinte minutos para o término do culto, e o horário da pregação já estava atrasado em quase meia hora. Para complicar mais a situação, o pastor havia convidado "António das Revelações", um famoso pregador da Igreja do Evangelho Antropocêntrico, que chegara poucos minutos depois do início da "saudação".


Antes que o pastor, um homem muito paciente, puxasse o paletó do irmão José, ele tomou uma atitude: fechou a Bíblia de forma brusca e, um tanto trêmulo, abriu-a de novo, lentamente, mantendo os olhos fechados e um dedo sobre uma passagem.


— Irmãos, eu resolvi tirar uma palavra, e caiu aqui em Salmos 32.9. E o Senhor vai falar com você agora, pois o nome de Deus é Já! Quem achou, diga "amém". Quem não achou, diga "misericórdia".


Ao ouvir um fraco "amém", ele firmemente procedeu a leitura:

— "Não sejais como o cavalo, nem como a mula, que não têm entendimento, cuja boca precisa de cabresto e freio, para que se não atirem a ti".


Lido o texto, o dirigente do culto, que mantinha um olho na Bíblia e outro no relógio da parede, não suportando a sucessão de atitudes inconvenientes, disse em alto e bom tom:


— Amém, pastor José. Agora é a hora da Palavra! Vamos ouvir a pregação!


José olhou para o pastor e, entendendo que dissera aquelas palavras em sinal de aprovação, para que ele continuasse falando e iniciasse, de fato, a pregação, respondeu, com ar de soberba:


— Esse versículo é muito profundo, e eu poderia ficar aqui falando muito tempo... Só não vou fazer isso porque o pastor me deu a oportunidade para apenas uma saudação. E eu quero ser fiel ao meu pastor. No entanto, gostaria de fazer só mais uma coisa: Olhem para mim!


Nesse instante, houve um momento de expectativa.


— Lemos um versículo que mostra o poder das palavras. Olhe para o seu irmão e diga: "Aprenda a usar o poder de suas palavras, pois com elas você pode produzir bênção e maldição".


Boa parte do povo estava um tanto impaciente, haja vista a expectativa de ouvir o pregador convidado, e acabou não seguindo as ordens de José.


— Parece que os irmãos estão um tanto desanimados... Repreenda esse espírito de desânimo! Amém?


Sem ouvir sequer um irmão dizendo "amém", José preferiu não insistir e, finalmente, concluiu:


— Eu agradeço a oportunidade, e que o Espírito Santo fale melhor em cada coração.


Como faltavam poucos minutos para terminar o culto, e o grupo de coreografia ainda pediria para se apresentar antes da mensagem — mais quinze minutos! —, a saudação, propriamente dita, ficaria a cargo do pregador convidado.


No entanto, este ainda falaria por mais cinqüenta minutos, pedindo que o povo respondesse a mais alguns "améns". Antes de pregar sobre os seus assuntos preferidos, a prosperidade, os direitos do crente e os demônios, pediu a todos que olhassem para o irmão ao lado e dissessem:


— Eu te abençôo agora! E profetizo prosperidade sobre a tua vida!


O público acabou se animando um pouco com essa sessão de "profecias", mas cansou-se logo, pois, a cada frase de efeito que o pregador empregava, dizia:
— Diga isso para o seu irmão.


De fato, ele parecia ser um homem de fé, pois relatou inúmeros encontros que teve com Jesus e os apóstolos, no céu, e com o Diabo, no inferno. Ele aproveitou para oferecer o livro As Revelações do Céu e do Inferno que Paulo Não Teve Coragem de Escrever, lançado pela editora Fé na Fé.


— Irmãos, eu recebi este livro quando visitei o céu pela primeira vez e conversei com o apóstolo Paulo. Ele me disse que não teve coragem de escrever em suas epístolas tudo o que viu, mas que me autorizava a divulgar essa mensagem para a Igreja dos últimos dias. Neste livro, estão revelados muitos mistérios que não se encontram na Bíblia.


Após a longa e polêmica pregação, o pastor — cheio de dúvidas quanto a tudo o que ouviu — impetrou a bênção apostólica e encerrou a reunião com o último "amém"!

Há um versículo que parece definir bem acerca das pregações de "José dos Clichês" e deste último: "O princípio das palavras de sua boca é a estultícia, e o fim da sua boca um desvario péssimo" (Ec 10.13).

Autoria: Ciro Sanches Zibordi

internet.

 

 

 


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