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A Fé em Relação à Santificação
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Título original: Faith in Relation to sanctification

Por John Angell James (1785-1859)
Traduzido, Adaptado e Editado por Silvio Dutra


Deus criou o homem à sua imagem, que consistia em verdadeira santidade. Nenhum sentimento de culpa estava em sua consciência, nem de depravação em seu coração. A luz da verdade irradiava na sua compreensão; o brilho do amor perfeito acalorou seu coração; as volições de sua vontade estavam todas do lado da pureza; sua consciência era a sede da paz perfeita; e as belezas da santidade adornavam seu caráter. Sua alma inteira estava em harmonia com as cenas imaculadas do Paraíso, no qual ele caminhava em amizade imperturbável com Deus. Nenhuma tristeza lhe torceu o coração; nenhum cuidado enrugou sua testa; nenhuma ansiedade quebrou seu descanso. Ele tinha grande temor da misteriosa árvore do conhecimento do bem e do mal, para comer com alegria da árvore da vida no meio do jardim. Ele estava feliz, porque ele era santo.

Mas, ele pecou, e toda a sua relação moral e condição foi alterada; ele caiu sob a condenação da lei que ele tinha violado, e tornou-se objeto de corrupção interna. Uma mudança inteira passou por sua natureza; ele não só se tornou culpado; mas depravado; seu entendimento tornou-se escurecido; suas afeições egoístas e terrenas; sua vontade propensa a escolher o que está errado; e sua consciência entorpecida. Para ele se recuperar desse estado de dupla miséria, deve ser perdoado e santificado. Sua relação e seu estado devem ser mudados. Nenhum destes sozinho resolverá seu caso. Ele perdeu o favor de Deus e não pode ser salvo sem ser restaurado ao mesmo; e como também perdeu a imagem de Deus, tampouco pode ser salvo a menos que também lhe seja devolvida. A aliança do amor e da misericórdia de Deus em Cristo Jesus; o glorioso plano da graça redentora; encontra todo o caso do homem caído, fornecendo não apenas justificação; mas santificação.

Maravilhosa provisão! Perdão para o culpado! Santificação para os ímpios! A condição do pecador pode ser comparada à de um criminoso condenado encerrado na prisão, e infectado com uma praga mortal! O que ele precisa, é tanto a cura de sua praga, e a reversão de sua sentença. Se ele for apenas perdoado; ele morrerá da praga. Se ele for apenas curado da praga; ele sofrerá a sentença da lei. Assim sucede com o homem caído; ele é depravado e condenado. Se ele for apenas perdoado; sua depravação será sua miséria. Se ele pudesse de alguma forma ser reformado; ele ainda estaria sob a sentença de morte. A glória, bem como a completude do plano do evangelho é, que ele fornece uma cura para as doenças da alma pela santificação, bem como um perdão da condenação da lei pela justificação!

O verbo "santificar", em seu significado etimológico, significa "consagrar" ou "separar de um uso comum para um uso sagrado". É também sinônimo, ou quase assim, do verbo "purificar", e é usado como sinônimo dele; com essa diferença, entretanto; que a purificação é empregada às vezes em um sentido genérico, incluindo tanto a justificação quanto a santificação. Onde a purificação, ou purificação, é por sangue, ali a palavra significa justificação; e onde por água, santificação. "O sangue de Jesus Cristo nos purifica de todo pecado". "Quem nos lavou de nossos pecados em Seu próprio sangue." Nessas passagens, fala-se da purificação da consciência, ou perdão. É nesta visão da purificação que também devemos entender o apóstolo, onde na Epístola aos Hebreus, ele fala de santificação como se fosse o mesmo que justificação. "Pelo qual seremos santificados pela oferta do corpo de Jesus Cristo de uma vez por todas". "Porque por uma só oferta aperfeiçoou para sempre os que são santificados". (Hebreus 10:10, 14). Agora todo o contexto prova que o apóstolo está falando de perdão, não de santidade; e ainda usa a palavra "santificar", que deve ser entendida como uma das duas variedades específicas de purificação. Justificação, ou perdão, sendo a purificação da consciência da culpa; a santificação é a purificação do coração e a purificação da vida da depravação.

É importante notar que o uso do apóstolo da palavra santificar da maneira que acabamos de apontar, para proteger o leitor da Epístola aos hebreus de supor que em outras partes da Escritura e na terminologia teológica, é confundido com a justificação, e significa nada mais do que a santidade.

A SANTIFICAÇÃO significa, então, a obra da graça que é operada na alma do crente pelo Espírito de Deus, através da instrumentalidade da Divina Verdade, pela qual se tornam cada vez mais semelhantes a Deus, em justiça e verdadeira santidade.

Será percebido por um leitor atento, que há uma diferença essencial entre a justificação e a santificação; estes dois sempre andam juntos; mas são essencialmente distintos em sua natureza específica. A justificação é uma mudança de nossa relação com Deus; de ser um inimigo, nós nos tornamos um filho. A santificação é uma mudança de nossa natureza, na qual perdemos o espírito de um inimigo, e adquirimos o de um filho. A justificação é aquela que recebemos em razão da expiação de Cristo; a santificação é aquela que recebemos pela obra do Espírito em nós. A justificação está completa de uma só vez; a santificação é progressiva. Na justificação, recebemos o amor de Deus para conosco; na santificação, exercitamos nosso amor a Deus. De uma compreensão direita da diferença destas duas bênçãos, depende nosso conhecimento correto do plano inteiro da redenção. Tudo será confusão em nossas ideias, se não percebermos essa diferença. Nosso crescimento na graça será impedido, e nossa consolação será obstruída e diminuída.

A santificação difere da REGENERAÇÃO (novo nascimento do Espírito), apenas como o progresso de uma coisa difere de seu começo. A regeneração é o nascimento do filho de Deus; a santificação é o seu crescimento. Na regeneração, o princípio da vida espiritual é transmitido; na santificação a vida espiritual é desenvolvida e exercida.
Há outra distinção necessária a ser observada, ou seja, a diferença entre a santificação e a MORALIDADE COMUM da vida. Há muitas pessoas que são muito amáveis em suas disposições, muito justas em suas transações, muito excelentes em todas as suas relações sociais, muito amáveis no seu caráter geral; mas que, ao mesmo tempo, qualquer estima e afeição que eles possam ter; não estão em um estado de santificação. Eles nunca foram convencidos do pecado; nunca exerceram fé em Cristo; nunca foram nascidos do Espírito; nunca foram levados a amar a Deus. Toda essa beleza de caráter é apenas a bela flor selvagem no deserto da humanidade não renovada. Não pode haver verdadeira santidade além do princípio do supremo amor a Deus. Até que isso seja implantado na alma, estamos sob o domínio do supremo egoísmo; e todas essas excelências podem ser traçadas até o eu! A lei de Deus não é obedecida; a glória de Deus não é buscada, porque o próprio Deus não é amado. Não há, não pode haver santidade, tudo o que pode haver é o que é chamado de moralidade, se não há amor a Deus. Isso pode ser santidade para o Senhor, em que a autoridade de Deus não é distintamente reconhecida; nem há submissão à sua vontade professada; nem sua glória procurada? Nesse caso, o próprio princípio da santidade está faltando. E um espetáculo melancólico é ver tanta excelência geral de caráter como às vezes testemunhamos, infrutífera em relação a outro mundo, a seu possuidor, por falta desse princípio divino que transmuta toda essa moral aparentemente bela em verdadeira religião.

Santificação, portanto, é santidade; ou esse supremo amor a Deus, e o amor ao homem, que é exigido pela lei de Deus. É, como dissemos; o desenvolvimento, a energia contínua e o exercício da vida divina, implantados na alma pela regeneração. Se descrevemos a santificação na fraseologia teológica, devemos dizer que ela é cada vez mais morrer para o pecado; e viver cada vez mais para a justiça. A santificação está avançando na vida divina. A santificação é a mortificação de nossas corrupções. A santificação é o investimento do nosso caráter com as belezas da santidade. A santificação está se tornando mais e mais como Deus em seu caráter moral. Todas estas são descrições instrutivas e impressionantes de nossa santificação; mas ainda mais, são as representações dadas da mesma na Palavra de Deus. A santificação é:
"A lei de Deus escrita no coração"
"A fonte de água que salta para a vida eterna",
"Dando muito fruto",
"Sendo crucificado com Cristo",
"Morto com Cristo",
"Vivendo para Deus",
“Andando em novidade de vida”,
"Andando não segundo a carne; mas segundo o Espírito",
"Mortificando os nossos membros que estão sobre a terra",
"Não sendo conformados a este mundo, mas transformados pela renovação da nossa mente",
"Correndo a carreira cristã com paciência, deixando de lado cada peso e o pecado que tão facilmente nos assediam",
"Trabalhando a nossa salvação com temor e tremor",
"Vivendo em amor",
"Transformados à imagem de Deus, de glória em glória, como pelo Espírito do Senhor",
"Purificando-nos de toda imundície da carne e do espírito, e aperfeiçoando a santidade no temor de Deus",
"Andando no Espírito",
"Cheios de toda a plenitude de Deus",
"Abundando em amor cada vez mais, sendo cheio dos frutos da justiça",
"Frutificando em toda boa obra",
"Sendo irrepreensíveis e inocentes filhos de Deus sem mácula",
"Tendo nossos corações confirmados em santidade",
"Santificado inteiramente",
"Sendo perfeito em toda boa obra",
"Santo, como Deus é santo"
"Crescendo em graça".

Todas estas passagens, e inúmeras outras, descrevem a obra da santificação; e oh, que obra! É quase suficiente para aterrorizar-nos ao considerarmos o que temos de fazer, e quão defeituosamente o estamos fazendo. Ao ler sobre estas passagens da Sagrada Escritura, estamos prontos para exclamar: "Quem então pode ser salvo!" "Quem é suficiente para essas coisas?" E é com referência a isto que se diz: "Essa é a vontade de Deus, a vossa santificação". (1 Tes 4: 3). "Cristo nos foi feito santificação". (1 Cor. 1:30). "Sem santificação ninguém verá o Senhor". (Heb 12:14).

Na santificação há uma agência Divina e uma instrumentalidade humana. A agência Divina é obra do Espírito de Deus; daí as expressões:
"Santificação do Espírito",
"Nascido do Espírito",
"Vivendo no Espírito",
"Andando no Espírito",
"Guiados pelo Espírito",
"Selados pelo Espírito".
Citar mais passagens seria desnecessário. Toda a obra da verdadeira religião na alma humana é Divina! Toda percepção sagrada, toda inclinação santa, toda afeição santa, toda vontade santa; vem de Deus. Nossa vida santa é tanto uma obra do Espírito Divino quanto a nossa conversão. É ele quem "opera em nós o querer e o realizar segundo a sua boa vontade". É ele quem nos torna santos, de uma maneira que não podemos compreender totalmente; mas que, de nossa própria consciência, sabemos que não está de modo algum em desacordo com as leis de nossa constituição mental ou nossa liberdade de escolha e ação.
A santificação não é no entanto, independente dos meios e da instrumentalidade. Se o Espírito é o agente; a verdade, como está em Jesus, é o meio instrumental de nossa santificação. A santidade não é uma criação física, mas uma criação moral; e a influência que a comunica é bem diferente daquele poder físico que move e governa a criação material. O poder divino que regenera e santifica a alma é de um tipo peculiar a esta obra. É, se assim se pode falar, uma persuasão divina, eficiente e moral; mas o modo de operação está além de nossa compreensão.

Frequentemente se faz referência à ESCRITURA, como instrumento de santificação. "Santifica-os na tua verdade; a tua Palavra é a verdade." (João 17:17). Assim orou o Salvador do mundo pelos seus apóstolos; em que petição ele reconhece de uma só vez a instrumentalidade da verdade; e a agência eficiente de Deus. Então, em outro lugar; "Agora você está limpo através da Palavra que eu tenho falado." (João 15: 3). Para este efeito são as palavras do apóstolo: "Mas nós devemos sempre dar graças a Deus por vós, irmãos, amados do Senhor, porque Deus vos escolheu desde o princípio para a santificação do espírito e a fé na verdade." (2 Tes 2:13). "Por isso nós também, sem cessar, damos graças a Deus, porquanto vós, havendo recebido a palavra de Deus que de nós ouvistes, a recebestes, não como palavra de homens, mas (segundo ela é na verdade) como palavra de Deus, a qual também opera em vós que credes." (1 Tess. 2:13). "De sua própria vontade nos gerou, com a Palavra da verdade". (Tiago 1:18). "Já que tendes purificado as vossas almas na obediência à verdade, que leva ao amor fraternal não fingido, de coração amai-vos ardentemente uns aos outros, tendo renascido, não de semente corruptível, mas de incorruptível, pela palavra de Deus, a qual vive e permanece." (1 Pedro 1:22, 23). "As palavras que eu vos digo são espírito e vida." (João 6:63).

Em todas estas passagens, e muitas mais poderiam ter sido selecionadas, a verdade é mais clara e positivamente afirmada como sendo o meio de nossa santificação. Ora, é obra do Espírito fazer com que esta verdade seja atendida pelo juízo; entendida de uma maneira peculiar e espiritual, e assim sentida, de modo a mover a vontade do homem para escolher e perseguir a santidade, e rejeitar pecado. Não devemos imaginar que a obra do Espírito aniquila as faculdades ou destrói a liberdade da alma; mas guia e dirige essas faculdades pela luz espiritual que ele introduz. É o próprio ato do homem se arrepender, crer, amar, obedecer, de acordo com a verdade colocada diante da mente; mas para isso é guiado pelo Espírito de Deus.

Agora vemos muito claramente o ofício da fé na santificação. Nos Atos dos Apóstolos temos estas duas expressões; "Purificando seus corações pela fé". (Atos 15: 9. "Para que recebam o perdão dos pecados, e a herança entre os que são santificados, pela fé em mim". (Atos 26:18). O que em um lugar é chamado "santificado", é no outro chamado "purificado"; sustentando o que foi dito, que a santificação significa purificação. Será nosso negócio agora tornar óbvio que a fé tem uma obra a realizar na santificação; tão necessária e tão importante quanto na justificação.

Há alguns escritores que representam o sistema de fé, como é estabelecido pelos teólogos evangélicos, como tendendo a enfraquecer as obrigações para a santidade. Eles são capazes de entender como a lei, com seus preceitos e penalidades, deve operar em livrar os homens do pecado; mas eles não veem como o evangelho, com suas promessas e privilégios, deve conduzir ao mesmo fim; esquecendo, ou não compreendendo, o que o apóstolo diz, que "pela fé confirmamos a lei".

Então há outros que, de boa vontade, concordam com a doutrina da plena justificação pela justiça de Cristo; mas que, enquanto veem claramente o assunto da fé neste ato da graça de Deus (justificação), não veem claramente a obra da fé na santificação.

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Silvio Dutra
25dutra@gmail.com
Igreja Orgânica de Jesus na Abolição
Rio de Janeiro - RJ

Publicado em: 15/4/2017


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