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Contentamento
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Título original: Contentment

Extraído de The Christians Reasonable Service

Por Wilhelmus à Brakel (1635-1711)

Traduzido, Adaptado e
Editado por Silvio Dutra



Introdução do Tradutor

Já ouvi várias vezes ser pronunciado que o verdadeiro contentamento é algo impossível, pelo menos enquanto vivermos neste mundo de trevas e pecado.

Quantas vezes, eu mesmo abriguei em meu coração expectativas de ser alegrado e ficar satisfeito em determinados projetos, que no fim deram em grande frustração.

Todavia, estes eventos são uma causa real para a anulação de um verdadeiro contentamento?

Creio que esta pergunta será plenamente respondida à medida que o leitor se dedicar em meditar nas verdades que são reveladas neste livro.

Não a título de antecipação, mas para expor minha própria experiência, tenho aprendido ao longo dos anos que quanto mais colocamos nossa esperança de contentamento na criatura, é quase certo que sempre seremos frustrados no processo.

A Bíblia e especificamente o ensino de nosso Senhor Jesus Cristo e dos Seus apóstolos revelam claramente, que é em Deus somente que deve ser colocada a nossa expectativa de contentamento, e esta deve excluir totalmente o tratamento que recebemos de pessoas ou das circunstâncias que tenhamos que enfrentar.

Quando nosso Senhor estava consolando os apóstolos com suas últimas palavras em Seu ministério terreno, Ele lhes disse que, para que a alegria deles fosse completa deveriam começar a se dirigir ao Pai fazendo-lhe petições. Veja que Ele associou o contentamento, à relação deles com Deus e não a qualquer outro motivo.

O apóstolo Paulo afirma, que é no Senhor que deve estar o motivo da nossa alegria.

Em muitas outras passagens encontramos a mesma orientação para o referido propósito.

Então, enquanto ficamos entristecidos ou frustrados e descontentes pelas circunstâncias, ou pelas criaturas em nosso relacionamento com elas, é porque ainda não aprendemos a grande lição de estarmos contentes em toda e qualquer situação, porque o nosso foco de alegria deve estar direcionado somente para Deus e nada mais.

Viver de expectativas de alegrias terrenas, e de cavarmos aqui o nosso contentamento, certamente trará muito abatimento e descontentamento de espírito, que muitas vezes impedirá que continuemos na prática do bem com o coração aberto e alegre, amando até mesmo os que nos frustram ou maltratam, em razão do nosso foco no amor de Deus e em nosso dever de dar um bom testemunho de fé, de amor e alegria em tudo o que possamos estar sofrendo neste mundo.

É por isso que a ordenança bíblica pode ser “alegrai-vos sempre no Senhor”, e também, “em tudo dai graças”, pois se dependêssemos de circunstâncias favoráveis e agradáveis para sermos encontrados contentes em espírito, tal ordenança seria simplesmente impossível de ser vivida, pois somos afligidos por diversas provações.

Somos ordenados a fazer todas as coisas com amor e não como para os homens, mas para Deus, ou seja, para agradar a Deus e não aos homens, e nem mesmo para buscarmos agrado para nós mesmos.

Se Noé fosse construir a arca naqueles 120 anos contando com o aplauso, a gratidão ou a aprovação dos homens, é bem certo que jamais a teria construído, pois deve ter sofrido oposição até mesmo dentro de sua família, por ter se entregado à realização de um projeto que aos olhos de todos parecia uma loucura.

Assim, também nós se formos esperar sermos reconhecidos, amados, e ter o agradecimento e a aprovação dos homens nos projetos que realizamos para Deus é bem certo que iremos parar no meio do caminho, porque toda obra que proceda verdadeiramente de Deus sempre fica sujeitada a grandes oposições, porque é uma lei; que onde há a fé, esta deve sempre ser provada.

Mas, deixemos a palavra com Wilhelmus à Brakel para sermos melhor instruídos neste fascinante e tão proveitoso caminho, que tem muito a ver com nossa vida real e cotidiana, se é nosso desejo viver de modo esclarecido e aprovado diante de Deus e dos homens.


Introdução do Autor

Uma vez que a profissão da verdade geralmente tem um efeito adverso sobre as questões temporais que impedem tantos de serem ousados em sua profissão, é necessário, portanto que resistamos a essa adversidade e estejamos satisfeitos com a vontade de Deus em relação às circunstâncias temporais. Isso vamos discutir agora.

A palavra "contentamento" em hebraico é “dai”, isto é, “plenitude, abundância e suficiência”. Frequentemente esta palavra é atribuída a Deus. O Senhor se chama (El Shaddai), isto é, o Deus que possui tudo e a todos.

É capaz de trazer tudo de Sua plenitude. É geralmente traduzido como "o Todo-Poderoso". Em grego, a palavra é (autarkeia), que é composta por duas palavras: ser suficiente e – si mesmo. Isto, é indicativo de ter suficiência por nós mesmos ou para nós mesmos, pois ninguém pode se contentar se não tiver o suficiente, e nós temos bastante se já não desejarmos qualquer coisa. Assim, “contentamento” não consiste na multidão de posses, mas no cumprimento do desejo. Se o desejo é grande, então muito é necessário para a realização deste desejo; se for pequeno, só um pouco será suficiente. Um pouco vai encher uma pequena garrafa, e muito é necessário para encher um grande barril. O homem precisa senão de pouco para viver no serviço de Deus, e se seus desejos são proporcionais com o que precisa, um pouco é suficiente para preencher seus desejos e seu estômago.

O contentamento é uma virtude cristã consistindo numa correspondência entre o desejo dos filhos de Deus e as suas circunstâncias presentes - isto é verdade, porque é a vontade de seu Deus em Cristo, de acordo com Sua soberana determinação. Nisto descansam com alegria, em confiança tranquila com alegria e gratidão, confiando que o Senhor fará com que o presente e o futuro se transformem em vantagem. Isso faz com que eles utilizem sua condição atual para o avanço de sua vida espiritual e para a glória de Deus.

O contentamento é uma virtude cristã dos filhos de Deus. Os não convertidos são reprovados para todas as boas obras e não são familiarizados com a natureza dessa virtude. Quando percebem isso nos filhos de Deus, eles o desprezam como tendo um nível baixo de inteligência, sonhadores, de insensibilidade estoica, e nos consideram impróprios para assuntos mais elevados - sendo este um tesouro que está escondido para eles. Os filhos de Deus, no entanto têm esta virtude em princípio, e eles percebendo a beleza desta virtude fazem diligente esforço para possuí-la em maior medida. O coração é o verdadeiro assento dessa virtude. O contentamento não é questão de palavras. Não é de natureza obrigatória, nem consiste em abster-se de perseguir o que é necessário no mundo. Não é uma determinação mental para manter-nos satisfeitos, mas é uma disposição da alma. O intelecto, a vontade, e as afeições estão em uma disposição satisfeita, e a partir desta propensão ações surgem que são consistentes com essa disposição. Essa disposição só pode ser encontrada nos filhos de Deus – naqueles que são de fato piedosos. “Mas a piedade com contentamento é de grande ganho." (1 Tim 6: 6).

(Nota do tradutor: Esta disposição de estar contente em todas as circunstâncias é aprendida pela instrução e poder operante do Espírito Santo, e o seu fundamento é a justificação pela fé em Cristo, motivo pelo qual não pode ser achada no não convertido - naquele que rejeita a Cristo e a Sua salvação.)


O Objeto do Contentamento

O objeto do contentamento é nossa condição atual. Sendo crentes e permanecendo no estado de graça, ainda encontram muitas coisas relativas aos desejos da alma e do corpo. Às vezes, a condição de ambos concorda em um sentido geral com seus desejos, e às vezes há uma discrepância muito grande entre os dois. É fácil se contentar, se o Senhor conceder o desejo do coração. Se, entretanto nossas circunstâncias não concordarem com nossos desejos será uma tarefa difícil trazer nossos desejos em harmonia com nossas circunstâncias. O cristão é exercitado quanto a isso.

As posses não produzem contentamento. O homem pode ser descontente ou satisfeito, independentemente de ser rico ou pobre. Alguém que é rico ou de posses medianas deve se esforçar tanto para ser contente com seu estado, quanto o pobre no seu. Não devemos nos esforçar para estarmos em circunstâncias diferentes, pensando que estaremos melhor; pelo contrário devemos trabalhar para estarmos bem, na condição em que nos encontramos. Um pobre pensa: "Se eu fosse apenas da classe média..."; um da citada classe pensa: "se eu fosse rico..."; uma pessoa rica: "se eu tivesse mais"; uma pessoa solteira pensa quanto ao contentamento: Se eu fosse casado...; e uma pessoa casada: se eu fosse solteiro...; um marinheiro: se eu só tivesse uma ocupação em terra...”; um artesão: se eu fosse um homem de negócios; etc. Estes são pensamentos tolos. O contentamento não consiste nisso, mas em sentir que a condição em que nos encontramos é a melhor para nós.

A exortação é a seguinte: “Seja a vossa vida isenta de ganância, contentando-vos com o que tendes; porque ele mesmo disse: Não te deixarei, nem te desampararei." (Heb 13: 5).


A Natureza do Contentamento

A natureza dessa virtude consiste em haver harmonia entre nossos desejos e nossas circunstâncias atuais.

O homem não é naturalmente autossuficiente; ele é apenas um vaso no qual algo pode ser inserido. E, para ser preenchido ele tem desejos que - como mãos – se estendem para o que ele julga necessitar.

Após a queda, nossos desejos se tornaram desordenados tanto em relação aos assuntos desejados que não podemos cumprir, bem como à maneira desejada, fazendo isso com muita veemência e paixão. Este vício ainda está parcialmente presente nos filhos de Deus após a regeneração, e lhes dá muito sofrimento. Ainda que eles saibam que devem ser opostos a isso, também desejam muito. Eles desejam que tudo esteja bem, de acordo com suas aspirações, no entanto eles não as podem preencher com o que é terreno, porém seus desejos devem ser moderados, de acordo com o que possuem- seja muito ou pouco.

Não devemos eliminar todos os desejos, como se a ausência de desejo constituísse a verdadeira satisfação. Isso seria desumanizar o homem e torná-lo menos que um animal. Nossos desejos devem ser contrários ao que é mau. O que é mal deve ser um fardo para nós, deve nos afligir, deve-se sentir dor sob ele, e ter o desejo de ser livrado dele. O que é bom deve ser desejável para nós e nossos desejos devem ser focados em seu prazer. Devemos perseguir esses desejos usando os meios que estão subordinados a isso. Assim, a satisfação não exclui os desejos nem o uso dos meios, mas exclui todos os desejos que se concentram em assuntos pecaminosos. Isso se refere a todos os desejos para tudo o que excede nossas necessidades; todos os desejos veementes e apaixonados por algo que normalmente poderia ser legalmente desejado, todas as angústias mentais, mágoas e desânimos se as coisas não seguirem nosso caminho.

No entanto, tudo isso ainda não constitui o contentamento. O contentamento consiste na correspondência de nossos desejos com nossas condições, e numa disposição para estar nas circunstâncias em que estamos, e em nenhuma que seja correspondente a outras pessoas. Antes de estar em tais circunstâncias, podemos realmente ter desejos (uma questão que consideramos essencial), contudo devemos fazê-lo com um julgamento verdadeiro e justo. Além disso, se entramos em circunstâncias difíceis, então realmente desejamos ser libertados delas e vir a circunstâncias melhores. Isso não é contrário a ser satisfeito. No entanto, enquanto estamos em nossas circunstâncias presentes - sejam boas ou más - devemos nos contentar com o presente, e regular nossos desejos em harmonia com as condições em que estamos vivendo atualmente. Mesmo os homens naturais, que aderem a um stoicum fatum (ou seja, “isto deve ser assim; não há nada a ser feito sobre isso”), enquanto na verdade permanece descontente quanto ao desejo que foi apenas sublimado. Já, no caso do contentamento cristão, a grande diferença está em que o crente se gloria inclusive nas próprias necessidades, e assim demonstram que o contentamento consiste em uma correspondência entre desejos e circunstâncias atuais. Os piedosos têm muito mais razão para regular seus desejos de acordo com suas circunstâncias, e fazer com que sua vontade esteja em harmonia com isto - sendo a vontade de Deus.

Isto não é apenas aplicável ao físico, mas também ao espiritual. Estar contente quando as coisas não vão de acordo com nossos desejos é uma tarefa difícil em ambos os aspectos, entretanto isto é muito mais verdadeiro no reino espiritual. Se estamos em trevas espirituais sofrendo de deserção espiritual, sendo espiritualmente agredidos e estando sujeitos ao poder da corrupção, então também devemos estar satisfeitos e regular nossos desejos de acordo com nossas circunstâncias. Devemos fazê-lo, não porque tais circunstâncias são desejáveis para nós ou poderiam ser, e não porque não devemos nos esforçar para estar contentes, mas porque é a vontade de Deus não nos dar mais graça presentemente, uma vez que lhe agrada conduzir-nos sob provação no caminho para a salvação e a glorificação de Seu Nome.

(Nota do tradutor: Este último ponto pode ser exemplificado por condições em que mesmo estando cumprindo fielmente a obra de Deus, somos atingidos por espinhos na carne, conforme sucedeu com o apóstolo Paulo na experiência relatada por ele em II Coríntios 12, e somos chamados a contar somente com a graça de Jesus, de maneira que possamos até mesmo nos gloriar nas tribulações, nas perseguições, nas angústias, nas necessidades, por causa do nosso amor por Cristo.

Este espinho na carne pode vir a nós sob variadas formas, quer em ataques espirituais diretos dos poderes das trevas, ou através da instrumentalidade de pessoas que nos sejam até mesmo muito queridas, em demonstrações de provocação, ingratidão, injustiça, confrontação, desmerecimento, calúnia, injúria, maledicência ou em qualquer outra forma que vise anular o nosso contentamento.

Caso estejamos buscando o favor dos homens, de sermos amados ou aprovados e elogiados por eles, é bem certo que ficaremos desanimados, entristecidos, magoados, caso sejamos decepcionados por eles, mas se estivermos buscando fazer tudo somente para a glória de Deus, para o Seu agrado em cumprimento à Sua vontade, e na plena convicção de estarmos cumprindo a mesma, nada poderá nos deter no caminho da prática do amor e do bem, por maiores que sejam as injustiças e perseguições que possamos sofrer da parte dos homens. De igual forma, nada poderá tirar o nosso contentamento em Deus, pois é a certeza de que Deus está contente conosco, pelo nosso bom testemunho e procedimento, que é a nossa força, como se afirma na Palavra que “a alegria do Senhor é a nossa força”.
)



O Fundamento do Contentamento

O fundamento sobre o qual nossas circunstâncias atuais são baseadas, e pelo qual estamos satisfeitos com elas é porque tal é a vontade de nosso Deus em Cristo Jesus, e Ele tem dirigido estas circunstâncias para serem assim.

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Silvio Dutra
25dutra@gmail.com
Igreja Orgânica de Jesus na Abolição
Rio de Janeiro - RJ

Publicado em: 27/4/2017


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